Como parte de um ambicioso projeto de revitalização urbana com inclusão social, o Governo do Estado por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur, entregou na última terça-feira (17), o residencial Vila Nova Esperança no Centro Antigo de Salvador. Com investimento da ordem de R$8,4 milhões, o residencial abrigou com novos apartamentos um total de 82 famílias, entre antigos moradores da região ou que viviam em situação de aluguel social. As novas moradias fazem parte de uma série de ações implementadas pelo Governo do Estado para requalificar a região histórica da capital baiana considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1985.
A solenidade de inauguração contou com a presença do Governador do Estado, Jerônimo Rodrigues, da secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmary Oliveira, o presidente da Conder, José Trindade, entre outras autoridades.
“Aqui não estamos falando de simples unidades habitacionais. Este local carrega um significado, a construção de um condomínio. Estar no Pelourinho, um lugar histórico e simbólico, é estar no coração da nossa luta. As pessoas que aqui vivem não apenas conquistaram suas casas, mas representam a resistência e a batalha por moradia digna em todo o estado da Bahia. A história deles é a história de um movimento que reflete a força e a perseverança de muitos que lutaram por justiça e por direitos fundamentais”, ressaltou o governador Jerônimo Rodrigues.
De acordo com a Secretária da Sedur, Jusmary Oliveira o novo conjunto habitacional entregue foi construído para atender famílias em situação de aluguel social, contribuindo para a estabilização populacional e o fortalecimento da identidade local. “A entrega destas moradias faz parte de um plano mais amplo de construção de 1.000 unidades habitacionais no Centro Antigo e Salvador, que também inclui a restauração de casarões e a implementação de melhorias em áreas de lazer e espaços públicos”, declarou durante o ato de inauguração.
Centro Antigo
O Centro Antigo de Salvador abrange uma área de 7 km² e é um dos principais cartões postais da cidade. Com aproximadamente 80 mil habitantes — uma redução de 40% em relação a 1970 —, o Centro Antigo sofre com a subutilização de cerca de 18 mil edificações e uma crescente evasão populacional. O projeto da Sedur visa reverter esse quadro, promovendo não apenas a preservação do patrimônio histórico, mas também a inclusão social e econômica de moradores locais.
A revitalização também envolve a recuperação de vias importantes, como as avenidas Sete de Setembro, Joana Angélica e Carlos Gomes, que conectam o centro histórico a áreas de expansão da cidade. Essas intervenções têm como objetivo melhorar a mobilidade urbana e revitalizar a Baixa dos Sapateiros, um centro comercial vital da cidade que vem enfrentando dificuldades econômicas nos últimos anos.
“A meta é transformar o CAS em um modelo de urbanismo sustentável, onde a recuperação do patrimônio, a preservação ambiental e a qualidade de vida da população caminham lado a lado de forma a mudar a realidade da área que passa por um processo histórico de precarização”, informou a secretária. Com um enfoque no desenvolvimento inclusivo, o projeto visa, ainda, estimular o comércio local e atrair novos investimentos para a região, reverter a especulação imobiliária e combater a violência urbana.
Com esses investimentos, o Governo do Estado da Bahia reafirma seu compromisso com a revitalização do Centro Antigo de Salvador, promovendo um futuro mais integrado e equilibrado para a região.
Nova Esperança
Ao todo, 82 famílias da antiga Rocinha foram atendidas pela Política Habitacional de Interesse Social, sendo que 20 famílias foram indenizadas e 62 serão contempladas com unidades habitacionais no Residencial Vila Nova Esperança. O empreendimento foi estruturado em um terreno de 7.765,12 m², com uma área total construída de 6.019,95 m², distribuídos em três blocos residenciais, com 56 apartamentos.
Equipado com quadra poliesportiva, dois parques infantis, equipamentos de ginástica, quiosques, pergolados e uma vista privilegiada para a Baía de Todos os Santos, o projeto valoriza a qualidade de vida dos moradores, integrando-os à paisagem cultural e econômica do Centro Histórico. O empreendimento conta ainda com dois espaços coletivos no térreo do casarão, que serão destinados a atividades comerciais e à gestão administrativa do residencial.
As outras seis unidades estão no casarão na rua Alfredo de Brito que ocupa o mesmo terreno dos três novos blocos. A entrega da recuperação e restauro do Casarão Histórico, no âmbito do Programa Bahia Minha Casa, envolveu um investimento de mais de R$ 1,7 milhão. O projeto consistiu na revitalização do casarão 18, que estava em ruínas, preservando as paredes remanescentes, incluindo a fachada frontal, e implementando um novo sistema estrutural. A área comum foi adaptada com uma loja comunitária no térreo, além de um salão com sanitários e depósito destinados ao conselho de moradores, garantindo não só a preservação do patrimônio, mas também a criação de espaços funcionais para a comunidade.
Foi formado um Conselho de Moradores, que estabeleceu diálogo constante e mediou as decisões essenciais, como a definição das famílias beneficiadas e a distribuição das unidades habitacionais. Os residentes participaram de visitas nas unidades e elegeram representantes.