Selo em homenagem à Mãe Stella é lançado pelo governo federal

15/09/2015

Lançado nesta terça-feira (15), no Axé Opô Afonjá, em Salvador, o selo comemorativo aos 90 anos de Mãe Stella de Oxóssi levará ao mundo, através de cartas, “um pouco do que representa sua sabedoria e dedicação”. A fala é do presidente da Sociedade Santa Cruz do terreiro, Ribamar Feitosa, que destacou a contribuição simbólica da arte para “redução do preconceito, maior tolerância às religiões de matriz africana e combate ao racismo”.

A ialorixá também fará parte do conselho curador da Fundação Cultural Palmares (FCP) - responsável por formular e propor metas norteadoras para o Sistema e o Fundo Nacional da Cultura -, conforme anunciado pela presidente do órgão, Cida Abreu, no ato. A gestora também comentou sobre uma campanha permanente de enfrentamento à intolerância religiosa, que será lançada posteriormente, e parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) em prol dos quilombos e outros segmentos tradicionais.

Presente na atividade, a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, parabenizou a iniciativa da FCP e dos Correios, ao reconhecer o “importante papel desempenhado por Mãe Stella na manutenção e reprodução de valores ancestrais, bem como seu legado nas áreas educacional e social, símbolo da luta pelo respeito às diferentes crenças e à liberdade de culto”. Na ocasião, também foi lançado um carimbo personalizado com o Ofá - símbolo de Oxóssi – ao centro, e a inscrição “Meu tempo é agora”.

A cerimônia contou, ainda, com a participação de diversos artistas e ativistas do movimento negro, como Lazzo Matumbi e Vovô do Ilê. O Ministério da Cultura foi representado por Pola Ribeiro. Também estiveram presentes o secretário estadual da Cultura, Jorge Portugal, o diretor regional dos Correios, Claúdio Garcia, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, o deputado Bira Corôa, o ex-governador Waldir Pires e o vereador Edvaldo Brito.

Mãe Stella – Iniciada no candomblé aos 14 anos, por Mãe Senhora, a ialorixá formou-se em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Saúde Pública, exercendo a profissão por cerca de 30 anos, o que atesta a sua preferência em cuidar das pessoas. Além do trabalho de valorização da cultura e das religiões de matriz africana, foi a primeira mulher negra a conquistar uma vaga na Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira 33, que tem como patrono o poeta Castro Alves. Já viajou várias vezes para África, no intuito de aprofundar os conhecimentos sobre a cultura iorubá, e escreveu diversos livros e artigos sobre o candomblé.