Realizada com apoio do edital Agosto da Igualdade, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), a exposição “Oyá Balé Contra as Intolerâncias”, foi aberta nesta quarta (16), no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador. A coordenação do projeto é da entidade cultural Cortejo Afro, que através da iniciativa presta uma homenagem à sua líder espiritual, Anízia da Rocha Pitta e Silva, a Mãe Santinha de Oyá, falecida em maio deste ano. Também destaca o enfrentamento às intolerâncias e faz referência à Iansã, no candomblé conhecida como senhora dos ventos e da tempestade, de temperamento forte e independente. O lançamento contou com a presença de ativistas do movimento negro, de diversos segmentos artísticos, dirigentes governamentais, lideranças religiosas, dentre outros. A Sepromi foi representada pelo coordenador de Promoção da Igualdade Racial, Sérgio São Bernardo.
De acordo com o presidente do Cortejo e artista plástico Alberto Pitta, a iniciativa faz uma justa homenagem à Mãe Santinha, com a abertura programada no exato dia em que se completaram quatro meses de falecimento da líder religiosa, cuja trajetória é marcada pela defesa da religiosidade de matriz africana e contra as diversas formas de violência. Pitta ainda ressaltou os editais e políticas desenvolvidas para a área das ações afirmativas na Bahia. “Através da arte, da cultura e estética, celebramos a parceria com o Estado, sobretudo com a Sepromi, que tem um papel importante na vida e no cotidiano dos blocos afro, afoxés e organizações de matriz africana. Nesta exposição queremos falar sobre justiça e liberdade. É o Cortejo Afro se posicionando sobre o racismo, homofobia e as discriminações”, disse.
O coordenador da Sepromi, Sérgio São Bernardo, destacou que a exposição é a oportunidade de reunir, num só momento, o legado da Revolta dos Búzios e as reflexões de temas ligados à defesa da liberdade religiosa. Ele considerou que o projeto é uma iniciativa exitosa e reflete os esforços do Estado para ampliação de diálogos e apoios às diversas manifestações do movimento negro, ampliando sua visibilidade através da cultura. “Também são formas de afirmar e empoderar povo negro”, afirmou.
A dirigente do Centro de Culturas Populares e Indenitárias (CCPI), Arany Santana, falou do protagonismo e da capacidade de inovação dos segmentos da cultura negra. “Não sabemos apenas tocar tambor e organizar bloco afro. A cada ano que passa a comunidade negra tem alargando a expandido seus conhecimentos, ocupando espaços e falando através de diversas linguagens. Somos um povo diverso, plural, dialogando constantemente, sendo contemporâneos no que fazemos”, disse, ressaltando a escolha do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), para sediar a exposição, local que pode ser considerado, segundo ela, um “espaço sagrado, verdadeiro terreiro contemporâneo”.
O evento contou, ainda, com a presença dos diretores do Muncab, José Carlos Capinan; da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo; da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro; do Coordenador do Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela (vinculado à Sepromi), Walmir França. A exposição “Oyá Balé Contra as Intolerâncias” prossegue aberta ao público, gratuitamente, até 10 de outubro, de terça a domingo, sempre das 10 às 16hs. O Muncab fica na Rua do Tesouro, s/nº, atrás da Igreja da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador. Os telefones são 71 3321-6722 e 3011-6328.