Ministra da Seppir discute promoção da cultura negra na Bahia

22/09/2015

Um encontro com representantes do movimento cultural negro baiano nesta segunda-feira (21), em Salvador, foi parte das atividades da Caravana Pátria Educadora, realizada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). A iniciativa faz parte de um cronograma do Governo Federal, responsável pela realização de debates sobre a promoção da igualdade racial no país e estratégias para superação do racismo nas diversas áreas. A titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, esteve presente na atividade, que aconteceu na sede do grupo cultural Olodum, reunindo artistas e produtores dos segmentos de teatro, artes plásticas, cinema, dos blocos afro, samba, reggae, hip hop, estética e gastronomia.  

A ministra da Seppir, Nilma Lino Gomes, explicou que o objetivo é influenciar para que o conjunto de metas e iniciativas do Plano Plurianual (PPA) do Governo Federal se concretizem, também no incentivo à cultura negra, considerando a sua expressiva diversidade. Para este trabalho, segundo ela, “um diálogo afinado” tem sido mantido com o Ministério da Cultura (Minc). A gestora informou ainda que entre as ações articuladas pela Seppir estão o lançamento de editais, apoio a intercâmbios com países africanos, diálogo com mídia étnica e monitoramento da utilização da imagem da população negra. Além disso, um grupo de trabalho composto de diversos ministérios tem tratado de questões referentes à intolerância religiosa no país. “Vivemos num país muito diverso e trabalhamos na construção destas políticas a cada dia”, afirmou a ministra.

Já a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, ressaltou que a recente assinatura do decreto de adesão da Bahia à Década Internacional Afrodescendente “reforça os compromissos” para a promoção do povo negro baiano, com ações efetivas nos eixos do reconhecimento, justiça e desenvolvimento. “Neste conjunto de esforços estamos trabalhando, também, pela regulamentação de importantes pontos previstos no nosso Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, inclusive o capítulo da cultura. Esta medida incidirá, sem dúvidas, no incentivo à cultura negra da Bahia e na vida da população que aqui vive”, disse.

Vera Lúcia informou que um grupo de trabalho com diversos órgãos governamentais e de representação negra foi formado e tem trabalhado com pautas relacionadas aos anseios e demandas do setor cultural negro. A ideia, segundo ela, é associar estas ações à Lei de Empreendedorismo Negro e de Mulheres, sancionada no ano passado, considerando o expressivo potencial na área da economia criativa e das possibilidades de potencializar os empreendimentos na área. 

A produtora Jussara Santana, do Grupo Aspiral do Reggae, lembrou que é preciso, de fato, potencializar a participação das comunidades afrodescendentes na sociedade, considerando a população dos artistas negros como “protagonista e fazedora da cultura”. Já Hamilton Oliveira, o DJ Branco, do segmento de hip hop, defendeu “a compreensão, por parte dos poderes públicos, do papel mídia negra como veículos independente e que contribuem para o combate ao racismo institucional no país”.

Visita aos terreiros - Ainda nesta segunda-feira (21), a ministra visitou três terreiros de Salvador – Bate Folha (Mata Escura), Casa Branca (Vasco da Gama) e Bogum (Engenho Velho da Federação) –, acompanhada da secretária Vera Lúcia Barbosa.  Hoje (22) foi a vez do Ilê Axé Opô Afonjá (São Gonçalo do Retiro), dirigido por Mãe Stella.  O objetivo, segundo Nilma Gomes, é “conhecer as representações de matriz africana e obter mais elementos para luta contra intolerância religiosa”.

Também compareceram à visita ao terreiro no Bate Folha (Mansu Bandu Kenkê), o vereador Carlos Suíca, o coordenador do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França, e a chefe de gabinete da Sepromi, Maiara Oliveira. De nação angola, o terreiro completa 100 anos em 2016 e possui uma área extensa de preservação da Mata Atlântica. “Todas as folhas utilizadas em nossos rituais são tiradas daqui, em horários que variam a depender da finalidade”, disse o Tata Muguanxi, sacerdote da casa, que guiou as autoridades no terreno.