Sepromi recebe mulheres de diversos países para debater políticas afirmativas

15/09/2016
Mulheres negras de diversos países foram recebidas na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) nesta quarta-feira (14), em Salvador, discutindo um conjunto de temas como políticas reparatórias, combate ao racismo e sexismo no mundo, reforma agrária e ativismo pela garantia dos direitos humanos. O grupo foi formado por ativistas de Senegal, Guiné, África do Sul, Gana, México, Peru, Estados Unidos e Honduras, numa agenda articulada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A titular da Sepromi, Fabya Reis, disse que a escuta das lideranças internacionais, com seus diversos acúmulos e experiências, é fundamental para divulgação e aprimoramento das ações voltadas ao povo negro e nas populações tradicionais. “Esta é uma oportunidade que contribui, sem dúvidas, na construção de políticas públicas de igualdade, inclusive provocando reflexões importantes sobre as conquistas e desafios que enfrentamos. O diálogo internacional possibilita avançar nestas compreensões”, afirmou.

Dentre os principais avanços citados pela gestora está o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, com capítulo específico sobre direitos das mulheres negras. Ela ressaltou, ainda, a Década Internacional Afrodescendente, cuja adesão da Bahia aconteceu no ano passado, como uma possibilidade de fortalecimento das agendas antirracistas entre a Bahia e uma série de países africanos e diaspóricos.

Parte da comitiva que visitou a Sepromi integra o movimento “Somos a solução”, que reúne vários países em torno da defesa das mulheres camponesas e da soberania alimentar. “Trabalhamos com a formação política de mulheres trabalhadoras rurais, sobretudo na área da agroecologia. Lutamos e apoiamos a reivindicação do acesso à terra para estas mulheres”, explicou Anne Marie Sia, de Gana, que participou, juntamente com as companheiras de militância, do 13º Fórum Internacional Awid - Os direitos das Mulheres, ocorrido na semana passada, na Costa do Sauipe. A atividade reuniu 140 países, com o objetivo de discutir feminismo negro e empoderamento.

A militante Esperanza Cardona, de Honduras, falou das semelhanças entre lutas históricas que defende em seu país com as frentes de ativismo de diversos setores sociais no Brasil. “Nossas principais bandeiras são o acesso à terra, à renda, ao crédito. Não temos políticas públicas muito favoráveis, o que faz acontecer os conflitos fundiários”, afirmou, classificando parte das dificuldades enfrentadas como consequência da “criminalização das mulheres e dos movimentos sociais”.

Boa parte das organizações presentes à reunião atua, de acordo com as participantes, com princípios pan-africanistas. A programação do grupo na Bahia inclui, ainda, visita a acampamentos e assentamentos rurais da Bahia, diálogo com a Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) e encontro do bloco afro Olodum, no Pelourinho.