Kabengele Munanga e Lourdinha Siqueira recebem titulo de cidadania baiana

22/09/2016
Com a participação de lideranças do movimento negro, blocos afro, comunidade acadêmica e escritores, o antropólogo e professor congolês, Kabengele Munanga, e a professora e pesquisadora, Maria de Lourdes Siqueira, receberam o título de cidadania baiana. A honraria foi concedida na tarde desta quinta-feira (22), na Assembleia Legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Bira Corôa, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade da Alba, em diálogo com as organizações da sociedade civil. “Trata-se de uma iniciativa construída por um conjunto de entidades. Dividimos a satisfação de vivenciar um importante momento com esse grande coletivo”, disse o parlamentar, destacando a contribuição dos professores na luta e resistência negras.

Também presente na cerimônia, a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, disse que o ato é “um reconhecimento justo de duas personalidades, que têm uma convergência, com atuação efetiva nos movimentos sociais e na academia pelo combate ao racismo e à intolerância religiosa”, afirmou. Lourdes agradeceu a Sepromi e a casa legislativa pela articulação para entrega da honraria e destacou sua relação com o Ilê Aiyê e o terreiro Ilê Axé Opô Aganjú. “É uma honra muito grande, pois a Bahia sempre foi meu porto seguro. Aqui morei durante 34 anos”, lembrou Lourdes.

Para Kabengele, a luta não foi em vão. “Hoje sou reconhecido como filho da comunidade baiana”. Esteve presente, ainda, a ex-ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino, que citou os homenageados como referências nacionais e internacionais na luta contra o racismo no Brasil e na formação de quadros políticos e acadêmicos, “ajudando-nos a compreender, inclusive, mais o continente africano”.

Trajetória
- Especialista em antropologia da população afro-brasileira, Munanga é referência nos estudos sobre o racismo brasileiro, tendo por base a Diáspora Africana. Já a professora Lourdinha tem uma história marcada por temas relacionados à vida, à religiosidade e às atividades intelectuais e culturais de afrodescendentes e de pessoas de países africanos. É também militante dos direitos humanos e das lutas contras as desigualdades sociais e étnico-raciais.