25/11/2016
Doze organizações da sociedade civil selecionadas no edital ‘Novembro Negro’, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), assinaram, nesta sexta-feira (25), os termos de colaboração para a realização de projetos, com investimento total de R$ 300 mil. A cerimônia foi realizada na Casa de Angola, em Salvador, como parte da programação do mês da consciência negra, seguida de momento cultural com a cantora Márcia Short e desfile de jovens negros, participantes de iniciativa voltada ao empreendedorismo étnico da Associação Civil Filhos de Bárbara (ACFBA).
Além de Salvador, foram contemplados os municípios de Camaçari, Capim Grosso, Irecê, Cícero Dantas, Buerarema, Conceição de Coité e Iraquara. Esta edição teve como tema "As Lutas de Dandara e Zumbi pela Promoção da Igualdade Racial”, trazendo personalidades históricas como referências da resistência dos negros escravizados no país, além de dar visibilidade ao protagonismo das mulheres. "Já estávamos aguardando o lançamento do edital, com expectativa, e ficamos muito contentes com o assunto escolhido, pois fortalece as nossas guerreiras do movimento", disse Joelma Vieira, presidente da Associação Afro Mangagá, uma das instituições selecionadas pela chamada pública.
O projeto contemplado atenderá mulheres desempregadas do bairro de Pau Miúdo e adjacências, na capital baiana, com cursos e oficinas sobre culinária africana, tendo como referência os temperos de Moçambique, Angola e África do Sul, além de abordagens relacionadas à publicidade e propaganda, marketing, empreendedorismo e português. "É uma forma de se profissionalizar", disse o cantor e compositor Tonho Matéria, destacando, ainda, a importância do edital para o desenvolvimento das ações. "Cada projeto apoiado pelo Governo do Estado contribui para a nossa visibilidade e dá vida ao projeto na comunidade", concluiu o artista, fundador da organização.
Memória e Resistência
"Esse é o primeiro edital que vencemos, com um projeto de memória, luta e resistência. É algo que vai ficar marcado na comunidade para sempre. De fato, agora começam a chegar as políticas públicas em nossa região", comemorou o representante da Associação dos Moradores de Maracujá e Região, Hélio Oliveira.
A titular da Sepromi, Fabya Reis, parabenizou todas as organizações contempladas e falou dos esforços do governo baiano este ano para "democratizar e facilitar o acesso às políticas públicas, simplificando os editais, com diversos avanços, a exemplo dos termos de colaboração". Também lembrou que a construção do Novembro Negro resultou de diálogo com lideranças do movimento negro e poder público.
"A partir de sugestões, buscamos visibilizar os nossos povos e comunidades tradicionais, bem como heróis e heroínas da luta racial, abrindo a programação com o resgate da história da Revolta dos Búzios no Teatro Castro Alves, atualizando os ideais de liberdade, igualdade e democracia", disse. Ontem (24), em Correntina, ampliando as ações no interior da Bahia, foram entregues certificações para comunidades de fundo de pasto. A agenda completa do Novembro Negro está disponível no www.sepromi.ba.gov.br.
Valorização e Preservação
Do município de Capim Grosso, o representante da Associação dos Agricultores e Psicultores Quilombolas do Camboeiro e Barro Vermelho, Valdir Souza, disse que o apoio reforçará a luta e preservação da cultura na região. "Temos conhecimento da nossa identidade há pouco tempo e precisamos conscientizar a população local sobre a importância da autodeclaração das comunidades remanescentes de quilombos". A instituição inscreveu um projeto de quintais agroecológicos, que contemplará famílias com oficinas sobre empoderamento e aproveitamento da água para produção de hortaliças e plantas medicinais.
O terreiro Teremene D´Unzambi, de Camaçari, também foi selecionado com um projeto de valorização das religiões de matriz africana e foco no empreendedorismo. "Vamos aproveitar os óleos residuais e de dendê, muito utilizado pelas baianas de acarajé nas casas de candomblé, para produção de sabão, buscando dar mais sustentabilidade ao nosso povo com geração de trabalho e renda", explicou Pai Ivanilson Oliveira.
Já o Instituto Macucu Jequitibá, de Buerarema, foi selecionado com a proposta "Eco das Vozes do Povo Negro". A partir de um ciclo de palestras na sede da organização e escolas, será resgatada a história dos negros na Bahia. "As pessoas estão se esquecendo dos nossos ancestrais, por isso a necessidade de levarmos esse conhecimento, trazendo os mais velhos para compartilhar suas experiências e contar a luta da nossa população", disse o representante Cassimiro Dias.
Foram selecionados, ainda, o Centro da Mulher Baiana; Sociedade Recreativa Cultural e Carnavalesca Bloco Alvorada; Associação Cultural Os Negões; Centro de Assessoria do Assuruá; Instituto de Ação Social e Cidadania Mão Amiga - IMA; Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido - ARCAS; e Associação dos Remanescentes Quilombolas do Quilombo Renascimento dos Negros - ARQRN.
Representatividade
Também participaram do ato Silvana Moura, do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb); Arany Santana, do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à Secretaria de Cultura (Secult); a deputada Fátima Nunes; e o diretor da Casa de Angola, Camilo Afonso, que reiterou a importância da ocupação do espaço pela população baiana. "Estamos no mês da independência de Angola, que foi reconhecida primeiramente pelo Brasil, e de Zumbi, para falar de nós, dos problemas que nos atingem e buscarmos soluções", afirmou. Estiveram presentes, ainda, representantes da Secretaria da Educação (SEC), Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), entre outros órgãos públicos e lideranças da sociedade civil.
Sobre o edital
É destinado a atividades pela defesa dos direitos da população negra e dos povos e comunidades tradicionais, visando reduzir a pobreza e as vulnerabilidades sociais acometidas pela discriminação racial e intolerância religiosa. Também segue o novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Mrosc), que estabelece mudanças no sistema de transferências voluntárias de recursos da Administração Pública. A iniciativa é parte do esforço do Estado para viabilizar uma agenda intensa de mobilizações em toda a Bahia, em virtude do calendário racial neste período, integrando a agenda da Década Estadual Afrodescendente.
Além de Salvador, foram contemplados os municípios de Camaçari, Capim Grosso, Irecê, Cícero Dantas, Buerarema, Conceição de Coité e Iraquara. Esta edição teve como tema "As Lutas de Dandara e Zumbi pela Promoção da Igualdade Racial”, trazendo personalidades históricas como referências da resistência dos negros escravizados no país, além de dar visibilidade ao protagonismo das mulheres. "Já estávamos aguardando o lançamento do edital, com expectativa, e ficamos muito contentes com o assunto escolhido, pois fortalece as nossas guerreiras do movimento", disse Joelma Vieira, presidente da Associação Afro Mangagá, uma das instituições selecionadas pela chamada pública.
O projeto contemplado atenderá mulheres desempregadas do bairro de Pau Miúdo e adjacências, na capital baiana, com cursos e oficinas sobre culinária africana, tendo como referência os temperos de Moçambique, Angola e África do Sul, além de abordagens relacionadas à publicidade e propaganda, marketing, empreendedorismo e português. "É uma forma de se profissionalizar", disse o cantor e compositor Tonho Matéria, destacando, ainda, a importância do edital para o desenvolvimento das ações. "Cada projeto apoiado pelo Governo do Estado contribui para a nossa visibilidade e dá vida ao projeto na comunidade", concluiu o artista, fundador da organização.
Memória e Resistência
"Esse é o primeiro edital que vencemos, com um projeto de memória, luta e resistência. É algo que vai ficar marcado na comunidade para sempre. De fato, agora começam a chegar as políticas públicas em nossa região", comemorou o representante da Associação dos Moradores de Maracujá e Região, Hélio Oliveira.
A titular da Sepromi, Fabya Reis, parabenizou todas as organizações contempladas e falou dos esforços do governo baiano este ano para "democratizar e facilitar o acesso às políticas públicas, simplificando os editais, com diversos avanços, a exemplo dos termos de colaboração". Também lembrou que a construção do Novembro Negro resultou de diálogo com lideranças do movimento negro e poder público.
"A partir de sugestões, buscamos visibilizar os nossos povos e comunidades tradicionais, bem como heróis e heroínas da luta racial, abrindo a programação com o resgate da história da Revolta dos Búzios no Teatro Castro Alves, atualizando os ideais de liberdade, igualdade e democracia", disse. Ontem (24), em Correntina, ampliando as ações no interior da Bahia, foram entregues certificações para comunidades de fundo de pasto. A agenda completa do Novembro Negro está disponível no www.sepromi.ba.gov.br.
Valorização e Preservação
Do município de Capim Grosso, o representante da Associação dos Agricultores e Psicultores Quilombolas do Camboeiro e Barro Vermelho, Valdir Souza, disse que o apoio reforçará a luta e preservação da cultura na região. "Temos conhecimento da nossa identidade há pouco tempo e precisamos conscientizar a população local sobre a importância da autodeclaração das comunidades remanescentes de quilombos". A instituição inscreveu um projeto de quintais agroecológicos, que contemplará famílias com oficinas sobre empoderamento e aproveitamento da água para produção de hortaliças e plantas medicinais.
O terreiro Teremene D´Unzambi, de Camaçari, também foi selecionado com um projeto de valorização das religiões de matriz africana e foco no empreendedorismo. "Vamos aproveitar os óleos residuais e de dendê, muito utilizado pelas baianas de acarajé nas casas de candomblé, para produção de sabão, buscando dar mais sustentabilidade ao nosso povo com geração de trabalho e renda", explicou Pai Ivanilson Oliveira.
Já o Instituto Macucu Jequitibá, de Buerarema, foi selecionado com a proposta "Eco das Vozes do Povo Negro". A partir de um ciclo de palestras na sede da organização e escolas, será resgatada a história dos negros na Bahia. "As pessoas estão se esquecendo dos nossos ancestrais, por isso a necessidade de levarmos esse conhecimento, trazendo os mais velhos para compartilhar suas experiências e contar a luta da nossa população", disse o representante Cassimiro Dias.
Foram selecionados, ainda, o Centro da Mulher Baiana; Sociedade Recreativa Cultural e Carnavalesca Bloco Alvorada; Associação Cultural Os Negões; Centro de Assessoria do Assuruá; Instituto de Ação Social e Cidadania Mão Amiga - IMA; Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido - ARCAS; e Associação dos Remanescentes Quilombolas do Quilombo Renascimento dos Negros - ARQRN.
Representatividade
Também participaram do ato Silvana Moura, do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb); Arany Santana, do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à Secretaria de Cultura (Secult); a deputada Fátima Nunes; e o diretor da Casa de Angola, Camilo Afonso, que reiterou a importância da ocupação do espaço pela população baiana. "Estamos no mês da independência de Angola, que foi reconhecida primeiramente pelo Brasil, e de Zumbi, para falar de nós, dos problemas que nos atingem e buscarmos soluções", afirmou. Estiveram presentes, ainda, representantes da Secretaria da Educação (SEC), Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), entre outros órgãos públicos e lideranças da sociedade civil.
Sobre o edital
É destinado a atividades pela defesa dos direitos da população negra e dos povos e comunidades tradicionais, visando reduzir a pobreza e as vulnerabilidades sociais acometidas pela discriminação racial e intolerância religiosa. Também segue o novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Mrosc), que estabelece mudanças no sistema de transferências voluntárias de recursos da Administração Pública. A iniciativa é parte do esforço do Estado para viabilizar uma agenda intensa de mobilizações em toda a Bahia, em virtude do calendário racial neste período, integrando a agenda da Década Estadual Afrodescendente.