Educadora conhece serviço de combate ao racismo no Carnaval

28/02/2017
A professora Lúcia Góes visitou, na tarde desta terça-feira (28), o posto fixo do Centro de Referência Nelson Mandela no Carnaval, na sede do Procon (Rua Carlos Gomes), onde foliões, artistas e trabalhadores têm apoio jurídico em casos de racismo e intolerância religiosa. Especialista em História da Bahia, a educadora demonstrou interesse em firmar parcerias para contribuir na luta pela garantia de direitos da população negra e propagar ainda mais a mensagem do combate à discriminação racial.

Ela foi recebida pelo coordenador do equipamento social, Walmir França, que destacou a importância do diálogo com a sociedade civil para ampliar a atuação nos bairros de Salvador e interior do Estado. “Essa relação com professores, formadores de opinião, lideranças comunitárias, entre outras representações, é fundamental para o aprimoramento e a efetivação das políticas públicas de enfrentamento ao racismo”, afirmou. Também acompanharam a visita as técnicas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Márcia Lacerda e Marinalva Lima.

Góes foi vítima de racismo no Carnaval há 19 anos, no bairro de Ondina, enquanto esperava o seu filho. “O segurança me pegou pelo braço e gritou para o colega: essa neguinha está dizendo que vai jantar no restaurante para tentar entrar no hotel. Me assustei na hora, porque esse racismo não foi sutil, pois isso sofro a vida toda, mas sim declarado em alto e bom som”. Naquela época, o Centro de Referência Nelson Mandela não existia, então procurou outros órgãos que lidam com a temática. “Agora já conheço o serviço e achei maravilhoso. Fui recebida com muito carinho. As pessoas são instrumentalizadas nas suas funções”, disse.

Parcerias – Após a folia, a professora ampliará o diálogo com o equipamento social para a realização de atividades conjuntas. “Sempre procuro contribuir aonde chego, levando a mensagem de perseverança. Não podemos baixar a cabeça. Não preciso que ninguém goste de mim, mas segurar o braço, maltratar, desprezar, é outra coisa. O que queremos é respeito”. Ela frisou, ainda, a necessidade da ocupação dos espaços de poder pelo povo negro.