“Exu sou eu, com 78 anos, que nasci em 1931, em uma encruzilhada, ao meio dia, em uma terça-feira”. A frase da Mãe Beata de Iemanjá, ialorixá do Ilê Axé Omi Oju Arô, do Rio de Janeiro, dá início ao documentário ‘A boca do Mundo – Exu no Candomblé’, que foi exibido na abertura da primeira Mostra de Cinema Negro, nesta quarta-feira (26), na sala Walter da Silveira da Biblioteca Pública dos Barris, em Salvador.
Com direção de Eliane Coster, a produção propõe uma abordagem sobre as múltiplas manifestações culturais de Exu, orixá/deus do candomblé, citando suas principais características e preferências, no que se refere a oferendas. A partir de oficinas em audiovisual, voltadas para adeptos desta religião afro-brasileira, foram selecionadas oito pessoas para captar imagens e sons utilizados no documentário.
A espectadora Luciane Rocha, 30 anos, aprovou a ação e sugeriu que acontecesse mais vezes durante o ano. “Essa é uma temática que me interessa muito. O povo negro precisa ocupar esses espaços de empoderamento, porque adquirir conhecimento também é uma forma de empoderar. A iniciativa é bacana e espero que seja realizada em outros momentos, não apenas no mês da consciência negra”, comentou.
Também fazem parte da Mostra, que segue até 1º de dezembro, com entrada gratuita, ‘Tango Negro: As raízes africanas do tango’, ‘Atlântico Negro – Na rota dos orixás’, ‘O Dia de Jerusa’, que integrou a programação da 7ª edição do Festival de Cannes, em maio deste ano na França, ‘Serra do Queimadão’ e ‘Igi Obá Nile – Memórias de Mãe Raidalva’.
Segundo o representante da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Diosmar Filho, a atividade tem o objetivo de preservar a memória do patrimônio cultural afro-brasileiro e africano. “São histórias de personalidades negras, homens e mulheres, que do seu lugar – terreiro, quilombo, militância – contribuíram ou contribuem para transformação da sociedade”, disse.
A Mostra faz parte do Novembro Negro, como fruto da parceria entre as secretarias estaduais da Cultura (Secult), que tem fomentado a produção audiovisual por meio de editais, e de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), responsável pela organização da campanha. “Os editais são espaços democráticos e acessíveis para qualquer produtor independente na Bahia. Nos últimos três anos, foram disponibilizados quase R$ 20 milhões pela Secult para isso”, destacou o diretor de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Marcondes Dourado.
Confira a programação completa da Mostra:

