CDCN recebe estudantes da rede pública para um diálogo sobre racismo

09/11/2016
Dando início às suas atividades no Novembro Negro, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), realizou um diálogo sobre enfrentamento ao racismo, com estudantes de escolas municipais de Salvador, nesta quarta-feira (09). Na oportunidade, foi divulgado o documentário Lápis de Cor, dirigido por Larissa Fulana de Tal, do Movimento Tela Preta, que aborda a representação racial no universo infantil e a maneira como o padrão de beleza eurocêntrico afeta a autoestima das crianças negras.

Reafirmando a sua identidade negra, o estudante Jorge Ferreira, 13 anos, disse que a educação é o único caminho para o combate à discriminação racial. “Declaro-me como negro, temos que saber a nossa raça e nunca se esconder”, afirmou. Idealizador da atividade, o conselheiro Eduardo Machado, do segmento de imprensa, conversou com os participantes e falou da importância de ocupar o espaço do CDCN, “conquista histórica da população negra, para que a comunidade conheça e se sinta integrada, com formação política sobre a questão racial”.

Lei 10.639/13 - Para a professora Bárbara Celeste, da Escola Municipal Terezinha Vaz da Silveira, o encontro “oportuniza a reflexão sobre a invisibilidade do povo negro na mídia, além da criação de mecanismos de defesa e combate ao racismo”. Já o educador Artur Gonçalves Neto, da Escola Municipal Vivado da Costa Lima, ressaltou a necessidade de atividades constantes nas escolas ao longo do ano, “não apenas no mês da consciência negra, abordando durante as aulas a cultura e história africana”.

A coordenadora da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Nairobi Aguiar, também acompanhou a ação, destacando a possibilidade de dialogar com “crianças negras, maioria do Centro Histórico, e contribuir para a consolidação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da temática nas escolas, apresentando as referências de heróis e heroínas negras para que se identifiquem e reflitam sobre o processo do racismo ainda na infância”.

Lápis de cor – A ideia do documentário, segundo Larissa, partiu de uma experiência familiar. “Minha irmã desenhou nossa mãe com lápis bege, que ainda se chama cor de pele, além de cabelos loiros e olhos azuis. Também sofreu preconceito na infância. Aí comecei a fazer dinâmicas temáticas e fiz o filme, percebendo a importância da construção da imagem e da elevação da autoestima das crianças negras”, explicou.

Agenda – A próxima reunião ordinária do CDCN será realizada no dia 24 deste mês, em sua sede, no Pelourinho. Já no dia 29 está programada a roda de conversa “Mulher negra no sistema prisional- perspectivas e condições de enfrentamento às violências de direito”, a partir das 14h. A programação completa do colegiado e demais organizações do poder público e da sociedade civil está disponível no www.sepromi.ba.gov.br.