Mãe Santinha deixa legado de dedicação ao próximo e forte trabalho de liderança religiosa na Bahia

04/09/2015

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Uma vida dedicada à espiritualidade e ao trabalho social. Assim pode ser definida a trajetória da yalorixá Anízia da Rocha Pitta, a Mãe Santinha, do terreiro Ilê Asé Oyá, falecida no último sábado (16), em Salvador. Mãe biológica do presidente do bloco Cortejo Afro, Alberto Pitta, era também líder espiritual do grupo, muito querida entre aqueles que a conheciam e frequentavam seu terreiro, localizado no bairro Pirajá, em Salvador.

Personalidades ligadas aos segmentos cultural, político e religioso que conheceram ou conviveram com Mãe Santinha destacam seus valores e contribuições para a Bahia, sobretudo na área social. No Ilê Asé Oyá ela liderava um trabalho junto a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, com atividades sociais e educativas, além da promoção de cursos profissionalizantes para jovens. Oficinas de percussão e estamparia africana estão entre as atividades desenvolvidas no local.
Filha de Oyá Balé, a religiosa era, também, mestre em rechiliê, técnica que trabalha com tecidos, muito utilizada na confecção de roupas e indumentárias da religião afro. No 

Cortejo Afro acompanhava todas as apresentações e participava dos desfiles realizados durante o Carnaval de Salvador, atividades eram sempre precedidas pelas suas orientações.

A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, lamentou o passamento da yalorixá, que tinha 90 anos e pertencia à geração das mães de santo mais antigas da Bahia. “Trata-se de uma líder religiosa que deixa um legado importante para o povo baiano. Uma referência de pacificidade, dedicação às pessoas que mais precisam. É exemplo, também, de perseverança e preservação das religiões de matriz africacana”, disse a secretária, externando sua solidariedade aos familiares e pessoas próximas.

O governador Rui Costa também emitiu nota de pesar, afirmando que “A Cultura da Bahia perde um de seus símbolos e ícone de luta por igualdade”. Mãe Santinha deixou dez filhos e muitos netos. O velório aconteceu no terreiro e o sepultamento no Cemitério Jardim de Saudade, no próprio sábado (16).