Documentário apoiado pelo edital Novembro Negro reforça debate sobre combate ao racismo

30/11/2016
Foi lançado nesta terça-feira (29) no Pelourinho, em Salvador, o documentário "O que é ser negro na Bahia?", projeto resultante do edital Novembro Negro de 2015. A ação foi viabilizada pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção a Igualdade Racial (Sepromi), em parceria com a ONG Ação pela Cidadania, TV Pelourinho e Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia), órgão vinculado à Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

A obra é dirigida por Nelson Costa da Mata (Cepaia) e Elismar Carvalho Lima (TV Pelourinho), apresentando lugares, imagens, depoimentos de pesquisadores sobre a temática étnico-racial, além da opinião de homens e mulheres negras, principalmente da periferia de Salvador, na observação da problemática da discriminação racial no cotidiano particular e na vida coletiva. Durante os trabalhos foram visitados bairros como Cajazeiras 10, Plataforma, Engenho Velho da Federação, dentre outros.

“O objetivo do filme foi ouvir a população soteropolitana sobre a condição do ser negro em Salvador e sobre a percepção e enfrentamento do racismo no dia a dia”, destacou Nelson da Mata, ressaltando, ainda, que o documentário é derivado do projeto de pesquisa "Racismo no Carnaval de Salvador", implementado pelo Cepaia sob sua coordenação, em parceria com o professor Valdélio Silva.

Presente à atividade, o professor Valdélio disse que a obra reúne pontos de vista antagônicos, mas que fazem parte da complexidade de análise acerca das relações raciais em Salvador. "Queremos passar para as novas gerações a oportunidade de reflexão sobre o fenômeno do racismo", disse ele, destacando que a luta antirracista deve ocorrer através da atuação política.

Racismo estrutural - A secretária da Sepromi, Fabya Reis, falou dos impactos do racismo estrutural ainda presentes na sociedade, avaliando que o documentário provoca importantes mobilizações. “Historicamente fomos marcados pela escravização do nosso povo, sistema que repercute ainda hoje, com o racismo presente de forma cotidiana. Este é, portanto, um importante instrumento de comunicação, que possibilita espaços de debate para que possamos continuar caminhando nas políticas reparatórias, inclusive”, pontuou.

O pró-reitor de Ações Afirmativas da Uneb, Wilson Roberto de Mattos, disse que a universidade observa a iniciativa como uma estratégia para "associar-se ao trabalho de formação da população sobre temas relacionados às questões da promoção da igualdade racial, aproximando a instituição de ensino da comunidade”.

Reflexão e formação para o empreendedorismo - O presidente da ONG Ação pela Cidadania, André Actis, afirmou que o projeto teve a finalidade de reforçar discussões fundamentais para a sociedade, promovendo inclusão social e empoderamento do público envolvido. "O documentário também é resultado do envolvimento de vinte e dois jovens negros de Salvador, entre 18 e 25 anos, que participaram de oficinas nas áreas do marketing e empreendedorismo, durante quatro meses. Desejamos que a política de lançamento de editais continue por muitos anos, garantindo investimentos no combate ao racismo”, ressaltou.

O lançamento contou com a presença de estudantes de escolas públicas, educadores, intelectuais e artistas. Ao final receberam exemplares do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa e material da campanha do Novembro Negro deste ano, voltada à visibilidade dos povos e comunidades tradicionais da Bahia.