Juventude negra da Bahia é atendida com programa Primeiro Emprego

30/11/2016
Jovens negros e de bairros populares formam o público atendido pelo programa Primeiro Emprego, lançado na manhã desta quarta-feira (30) pelo Governo do Estado, no Hotel Deville, em Salvador. A ação tem como meta preencher 9 mil vagas no mercado de trabalho, sendo 4,5 mil no setor público, até novembro de 2017, e outras 4,5 mil até novembro de 2018. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou do evento de lançamento, que contou com a presença do segmento juvenil, autoridades e representantes do setor privado.

Os beneficiados serão jovens egressos da Rede Estadual de Educação Profissional, formados a partir de 2015. Até o momento, mais de 80 empresas privadas também já manifestaram interesse em participar do programa. No setor público, neste primeiro momento, as vagas serão destinadas às áreas da Saúde, Educação e Segurança Pública. A gestão do programa contará com a participação direta de sete secretarias estaduais, com apoio dos demais órgãos e estruturas governamentais.

Ao lançar o programa, o governador Rui Costa avaliou que a iniciativa “é um estímulo para melhorar a qualidade das nossas escolas e para a juventude que busca uma oportunidade, para que ela possa se destacar pelo seu talento, pela sua dedicação, não por favores ou indicações de políticos. Será pelo esforço pessoal de cada jovem que eles vão entrar e permanecer no mercado de trabalho, a partir deste primeiro contato, desta primeira experiência”.

A secretária da Sepromi, Fabya Reis, ressaltou a presença expressiva de jovens negros no programa, destacando a importância da implementação de políticas afirmativas no mundo do trabalho. “O Primeiro Emprego influenciará, sem dúvidas, para a inserção da população jovem negra nas instituições, contribuindo aos poucos para a mudança do quadro de desigualdade racial na Bahia”, afirmou, citando o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa como um dos instrumentos baianos mais importantes para o enfrentamento ao racismo institucional no estado, com capítulos que orientam para a criação de políticas de acesso ao trabalho, geração de renda e incentivo ao empreendedorismo do segmento. Uma das medidas já em curso, segundo ela, é a destinação de reserva de vagas à população negra em concursos públicos realizados pelo Governo do Estado.

Participam do lançamento jovens representantes dos 27 territórios de identidade, inclusive que já estão trabalhando no HGE2 e na Bridgestone, pelo programa. Natália Costa, 20 anos, moradora de Mussurunga, terminou o curso técnico em eletrotécnica no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Sucupira e já está empregada na Bridgestone. Eu estou podendo conhecer novas coisas, passei por entrevistas coletivas e individuais, tudo isso é uma elevação, ajuda a gente a fortalecer nosso espírito competitivo. Estar trabalhando em uma empresa mundialmente conhecida é uma oportunidade ímpar”.

Ao conquistar a vaga, intermediada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), os egressos terão carteira de trabalho assinada e todos os direitos garantidos. O contrato tem duração de 24 meses no Estado, já as empresas particulares têm a prerrogativa de definir se haverá a continuidade do contrato. A remuneração nas instituições privadas é a partir de um salário mínimo, já nos órgãos estaduais, o contemplado terá salário mínimo, plano de saúde (Planserv) e vale transporte.