Sepromi destaca legados de Mãe Beata de Iemanjá

27/05/2017
Faleceu na madrugada deste sábado (27) Beatriz Moreira da Costa, a Mãe Beata de Iemanjá, liderança do Ilê Omi Ojú Arô, localizado na Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro. Baiana de Cachoeira, região do Recôncavo, Mãe Beata notabilizou-se como uma mulher de grande expressão entre as religiões de matriz africana no Brasil.

A Sepromi destaca os legados da sacerdotisa, cujo trabalho foi fundamental na valorização da diversidade religiosa no país, associado à luta pelo combate a diversas formas de discriminação, ao racismo e ao sexismo. A atuação da Mãe Beata tinha como uma das principais bandeiras a afirmação e defesa das mulheres negras.

A religiosa tinha 86 anos. Sua história no Rio de Janeiro começou em 1969, chegando por lá para tentar a vida, trabalhando como doméstica, cozinheira e manicure. Estabeleceu-se no bairro de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, onde fundou, em 1985, o Terreiro Ilê Omi Ojú Arô. Mãe de quatro filhos biológicos e de centenas de filhos de santo, Mãe Beata também desbravou a vida pelo mundo das artes como atriz, artesã e escritora.

A secretaria solidariza-se com membros da comunidade Ilê Omi Ojú Arô, familiares e amigos de Mâe Beata. Compartilha da compreensão das religiões de matriz africana de que a religiosa prossegue a luta no espaço sagrado do Orun, acreditando que seus ensinamentos e legados em prol da cultura da paz, ações afirmativas e direitos humanos serão perpetuados.

Reconhecimento - O empenho de Mãe Beata com as causas sociais é reconhecido através de diversas homenagens, sendo agraciada com moções, diplomações e convites para palestrar em eventos, como o Fórum Global em 1992, no grupo mundial pela paz. Escreveu sobre a tradição das comunidades de terreiro nas obras “Caroço de Dendê, Sabedoria dos Terreiros”, “Tradição e Religiosidade”, “As histórias que minha avó contava” e publicações sobre a saúde das mulheres negras. Neste mês de maio a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a outorga da Medalha Tiradentes à sacerdotisa, a maior honraria da instituição.