
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) assinou, nesta quinta (21), um termo de cooperação com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Brasileira (Unilab), que passa a integrar a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia. O compromisso foi firmado durante audiência pública comemorativa pelos cinco anos da instituição de ensino, que tem campus no município de São Francisco do Conde, com o nome de ‘Malês’, em alusão ao movimento de resistência do povo negro contra o regime escravocrata no Brasil.
A parceria tem como objetivo a redução das desigualdades raciais na sociedade, por meio do desenvolvimento de ações voltadas para a formação antirracista e políticas internacionais, no que se refere à aproximação de nações do continente africano. “Só vamos superar o racismo se entendermos que a educação é o pilar central dessa mudança de consciência”, afirmou a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa.
Na cerimônia, o reitor da Unilab, Thomaz Aroldo, anunciou a criação de um centro de referência sobre a África, que poderá contribuir neste sentido. A unidade disponibilizará informações sobre o continente e as relações afro-brasileiras para consulta da comunidade acadêmica e população em geral. “A própria existência da Unilab já é um sinal da busca pela superação das hierarquias raciais, legado doloroso do período da diáspora forçada, que trouxe os povos africanos para o Brasil”, disse.
A estudante Edsana Santos, 20 anos, de Cabo Verde, considera a iniciativa positiva no combate ao racismo e à intolerância religiosa, o que fortalecerá a política já desenvolvida na universidade. “Apesar do estado da Bahia ser formado por uma população em sua maioria negra, sofremos com o racismo aqui. Fisicamente não temos diferença, mas ao saberem que somos africanos há pessoas que já nos tratam de outra forma”.
Proposta diferenciada
A Unilab visa contribuir com a integração entre o Brasil e os demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, especialmente os africanos, bem como promover o desenvolvimento regional e o intercâmbio cultural, científico e educacional.
Segundo o deputado estadual Bira Corôa, que propôs a audiência, esse “é um resgate histórico e de reconhecimento da Bahia de uma instituição de ensino que permite o fechamento do elo entre o Brasil e a África”.
O encontro, aberto com apresentação de hinos do Brasil e de países africanos, contou ainda com a participação de Flávio Gonçalves, da Secretaria da Educação (SEC), representando o governador Rui Costa, e da professora da universidade e ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Também estiveram presentes o professor Kabengele Munanga, o prefeito de São Francisco do Conde, Evandro Almeida, e representantes da Fundação Pedro Calmon (FPC) e da Rede de Mulheres Negras do Estado, assim como estudantes e militantes do movimento negro.