Mulheres em privação de liberdade discutem enfrentamento ao racismo

29/11/2016
Cerca de 50 internas do Complexo Penitenciário Lemos Brito participaram, na manhã desta terça-feira (29), da roda de conversa “Mulher negra no sistema prisional: perspectivas e condições de enfrentamento às violências de direito”, como parte da programação do Novembro Negro, mês emblemático da luta antirracista no país. A atividade foi organizada pelo Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).

“É preciso assegurar o enfrentamento ao racismo. O cabelo e a cor da pele, infelizmente, ainda são colocados como empecilhos até para conseguir um bom emprego. O negro é lindo e, acima de tudo, merece respeito”, disse a interna J.G., 57 anos, no encerramento do encontro. Para a jovem B.N., o bate-papo é um momento de ocupar a mente, conhecer pessoas e aprender mais. Ainda quando morava no Curuzu, teve a oportunidade de aprender dança afro. “Temos que ter orgulho da nossa cultura”, concluiu.

Uma dinâmica realizada pela integrante do CDCN e representante da Rede de Mulheres Negras da Bahia, Lindinalva de Paula, envolveu as participantes num debate sobre garantia de direitos e combate à discriminação racial, intolerância religiosa e demais formas de violência. A solidariedade entre as mulheres negras foi o ponto alto das discussões. “Não posso falar de identidade negra sem pensar nas minhas irmãs e no meu local de origem”, afirmou a conselheira.

Aproximação

Segundo Tâmara Terso, da Coordenação de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais (CPCT) da Sepromi, “a aproximação do poder público com o segmento, historicamente invisibilizado na sociedade, é fundamental para fortalecer o diálogo e construir políticas públicas específicas”. Para a vice-presidente do CDCN, Mãe Jaciara Ribeiro, a ação não deve ficar restrita ao Novembro Negro. “Precisamos criar um vínculo com essas mulheres, realizando atividades ao longo de todo ano, pois além de elevar a autoestima, abrir os horizontes”.

O superintendente de Ressocialização Sustentável, Luís Antônio Nascimento, também reiterou a contribuição da iniciativa para “a quebra de preconceitos e o retorno ao convívio social”. Estiveram presentes, ainda, a diretora do complexo penitenciário, Luz Marina; Tarcísio Santiago, que acompanha as reuniões da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa pela Seap; a secretária-executiva do CDCN, Ádile Reis; e advogadas do coletivo Tamo Juntas.