Seminário sobre liberdade religiosa conta com o apoio da Sepromi

19/11/2015

A 11ª Alvorada dos Ojás, evento organizado pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) para conscientização pela vida e liberdade religiosa, foi aberta na manhã desta sexta-feira (19) com um seminário apoiado pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) por meio do edital Novembro Negro.  

O encontro no Hotel Sheraton da Bahia, no Campo Grande, teve a participação da representante da pasta, Fabya Reis, do coordenador do CEN, Marcos Rezende, da gerente de projetos da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Desiree Tosi, e do professor e ogan do Ilê Axé Oxumaré, André Santos.

À tarde, os participantes se reunirão em grupos de trabalho para discutir as principais violências cometidas contra os religiosos de matriz africana, o que contribuirá para elaboração de uma publicação, segundo Rezende. “Esse evento é fruto de nossa preocupação em mudar esse quadro e mostrar que precisamos ser uma nação inclusiva, que compreende o princípio da diversidade e respeita o diálogo inter-religioso, para viver em paz independente do deus que se acredite”, disse.

O táta Ricardo Tavares, do terreiro de Lembá, lembrou que muitas das agressões, sejam elas verbais ou físicas, têm levado à morte, como no caso de Mãe Dede, do município de Camaçari, e de Mãe Gilda (Abassá de Ogum – Abaeté). Em homenagem a essa última ialorixá, em 2007, foi sancionada a lei 11.365, que consagra o 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

“Uma das faces do racismo é a intolerância religiosa, que é velada ainda, mas perversa”, afirmou Tavares ao destacar a importância de debater perspectivas e “repensar estratégias para requerer políticas públicas na área e ter os direitos constitucionais assegurados”.  Para a representante da Sepromi, Fabya Reis, a escuta dos povos de terreiro é fundamental para “aprimorar e ampliar as ações voltadas aos segmentos”.

Ela também falou da atuação da  Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, composta por instituições do poder público, universidades federais e estaduais, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil de Salvador e do interior, sob a coordenação da Sepromi. O Centro de Referência Nelson Mandela, segunda Fabya, é uma das portas de entrada dos casos acompanhados pelo grupo e funciona na Avenida Sete de Setembro.

Outras atividades

No mesmo dia, à noite, líderes religiosos e filhos de santo começam a amarração dos ojás (tecidos sagrados do candomblé) em árvores do Dique do Tororó, Campo Grande, Corredor da Vitória e bambuzal do Aeroporto. O objetivo é pedir paz e defender o direito dos adeptos dos cultos afro-brasileiros realizarem seus rituais e preceitos livremente.

A programação da alvorada continua no dia 22, com um show em defesa da liberdade religiosa, às 10h, no Dique do Tororó. Diversos artistas negros da Bahia participarão do evento. Entre eles, os cantores Lazzo Matumbi, Márcia Short, Ninha, a banda Toque de Alabês, o cantor Tote Gira, o MC Xarope (com a banda Laroye), o grupo Só Samba de Roda e intervenções poéticas de Pareta Calderasch.

Já no dia 28, para encerrar a Alvorada, um ato de reverência ao Busto de Mãe Gilda será realizado no Parque do Abaeté (Itapuã). A ialorixá Gildásia dos Santos, homenageada na escultura, se tornou símbolo do combate à intolerância há 16 anos, após morrer devido a problemas de saúde resultantes de perseguição religiosa.

Fonte: Ascom/Sepromi e Ascom/CEN