7ª Caminhada da Pedra de Xangô conta com o apoio da Sepromi

14/02/2016

A pé, de cadeira de rodas e até muletas, candomblecistas de todas as idades percorreram, neste domingo (14), cerca de dois quilômetros em direção à Pedra de Xangô, monumento situado em Cajazeiras X e considerado sagrado pelo povo de santo, para pedir a proteção do espaço e o respeito às diferentes crenças.

Em sua sétima edição, a caminhada contou com a participação e o apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), que já articulou uma série de encontros entre órgãos municipais e estaduais, além da sociedade civil, para definição de medidas com foco no tombamento, limpeza e segurança do local.

“Não queremos tolerância, mas respeito. Trata-se da preservação de uma religião de resistência, ancestralidade, cultura afrodescendente”, afirmou uma das organizadoras da caminhada Mãe Iara de Oxum, da Associação Pássaro das Águas. O monumento já foi alvo de pichação, depósito de sal grosso e quebra de oferendas.

Para a vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Jaciara Ribeiro, ialorixá do Axé Abassá de Ogum, este é mais um momento histórico para o segmento. “Quando o povo de candomblé se une e sai às ruas fortalece a causa, mostrando que estamos firmes não apenas em defesa do combate à intolerância religiosa, mas diversos outros ideais”.

Convivência harmônica

Ao participar do ato, o representante da Sepromi, Ailton Ferreira, disse que as discussões sobre a Pedra de Xangô serão retomadas na busca por agilizar os processos de tombamento e iniciativas emergenciais. Entre as ações realizadas, por meio do grupo articulado, citou aula pública sobre o monumento e reunião com representantes de diferentes religiões.

Ailton parabenizou ainda a organização da caminhada, “que vai além do pedido pela proteção do espaço, numa manifestação pela convivência pacífica entre as pessoas, independente de credo, crença ou falta dela, que é uma das principais áreas de atuação da nossa pasta”.

Pedidos e agradecimentos

A candomblecista Rosa Montiquinei, 59 anos, também aproveitou para agradecer ao orixá pelo pedido concretizado. “Esta é a segunda vez que participo. Na primeira, pedi saúde, tinha acabado de ter um infarto, vim e melhorei muito. Meu marido também estava muito doente e já está andando”.

Assim como ela, outros religiosos foram até o fim do percurso, aproximando o rosto da pedra para reconhecer, fazer um pedido ou entoar cantos sagrados aos inquices, voduns, orixás e cablocos. O tradicional amalá (preparação com quiabo) foi oferecido no topo do monumento, sendo logo coberto por pombos.

Pedra de Xangô

A pedra é símbolo da luta dos escravizados pela libertação, pois ali se reuniam os negros no período colonial para organização do quilombo conhecido como Buraco do Tatu. A construção da Avenida Assis Valente valorizou comercialmente a região e, desde a inauguração em 2010, os rumores de destruição do rochedo crescem junto com a especulação imobiliária e deixando a pedra exposta a atentados de intolerância religiosa.

O orixá

Xangô, um dos principais orixás no panteão africano, é o patrono da justiça. Kaô kabiesilê, sua saudação, em tradução aproximada para o português, significa “o rei quis assim”. Tem como parceira mais constante a orixá Iansã, embora se relacione também com Obá e Oxum. A rocha é sua força da natureza e o machado, seu símbolo.