Rede de Combate ao Racismo avalia ações sociais no Carnaval

23/02/2016

A Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) apresentou, nesta terça-feira (23), aos demais órgãos da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, um balanço da atuação do Centro Nelson Mandela Itinerante no Carnaval, que integrou o conjunto de ações e políticas sociais do Governo da Bahia para a festa.

Além do atendimento jurídico em posto fixo na Rua Carlos Gomes (circuito Osmar), espaço compartilhado com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) durante a folia, foram realizadas abordagens qualificadas nas ruas com divulgação dos serviços do Centro de Referência e orientações aos cidadãos. 

A ação inovadora resultou em 446 entrevistas com foliões, ambulantes, cordeiros, turistas, seguranças, empresários e catadores de material reciclável sobre o assunto. Deste número, 39,9% da população abordada alega ter sofrido discriminação racial em algum momento da vida, sendo 10,1% em espaços públicos, maioria em shoppings, ou festas populares.

A iniciativa está associada à Década Internacional Afrodescendente, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê um conjunto de políticas públicas nos eixos do “Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento” para as comunidades negras até 2024.

Avaliação

Para os integrantes da Rede que participaram do encontro, a abordagem qualificada foi positiva embora precise ser aperfeiçoada e expandida. “A ação é muito importante para o combate ao racismo, que acontece muito no Carnaval, mas precisa ser ampliada para o interior. Na minha região tem Conceição do Coité e Serrinha, que aglomera pessoas de diversas cidades e onde percebemos esse tipo de violência, mas não temos uma metodologia para atender essa população no momento da folia”, sugeriu Cleuza Juriti, do Instituto Casa da Cidadania de Serrinha.

Segundo a coordenadora da Rede, Nairobi Aguiar, a participação do grupo, “neste momento, é fundamental para melhorarmos a nossa atuação nas próximas festas populares, sempre de forma integrada, estreitando as parcerias, com o objetivo de prestarmos um atendimento específico, diferenciado e alinhado”. Ela informou ainda que a pesquisa será útil para aperfeiçoamento e ampliação das políticas públicas direcionadas ao povo negro. “Conseguimos oferecer um serviço de prevenção ao racismo e dar visibilidade a grupos historicamente excluídos da sociedade durante o Carnaval”, avaliou.

Na ocasião também foram apresentadas ações das Secretarias de Segurança Pública (SPM) e de Políticas para as Mulheres (SPM), bem como do Ministério Público, realizadas durante a festa. Após falar da campanha contra o sexismo e racismo, com o slogan “liberdade para ser linda do jeito que quiser”, a promotora de Justiça Lívia Vaz ressaltou também a preocupação com os ambulantes que muitas vezes vêm de outros locais e não têm onde ficar no período da folia.

Outras parcerias

Também foram disponibilizados telefones, aplicativo para android e site para denúncias, numa iniciativa conjunta com a Ouvidoria Geral do Estado. “Apesar de ser um espaço de festa, acontece todo tipo de discriminação, e temos que estar atentos porque o cidadão nem sempre identifica o ato ou sabe onde recorrer”, sinalizou Antônio Cosme, da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi.

Para o coordenador do Centro de Referência Nelson Mandela, Walmir França, a parceria com a Secretaria de Turismo (Setur) também foi estratégica na ampliação da divulgação dos serviços a partir da capacitação dos guias e monitores de Carnaval, que distribuíram o material da campanha. “Na medida em que as pessoas conhecem o equipamento, as denúncias aumentam, porque sabem onde encontrar apoio”.