
No seminário sobre os 13 anos da União Africana (UA), promovido pelo Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela nesta sexta-feira (29), representantes de países africanos destacaram a necessidade de mais ações voltadas para o ensino da história, cultura e atualidade da África.
A atividade faz parte do projeto ‘Sextas Negras’, do equipamento social que é vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) e está localizado na Av. 7 de Setembro, em Salvador. “Não deveria faltar tanta informação sobre o continente pela proximidade e ligação que tem com a Bahia. Ainda falam da África como se fosse distante ou um país, sendo que é o terceiro maior continente do mundo e onde a civilização começou”, disse o representante da embaixada da Nigéria, Misbah Akanni.
Apesar da existência da Lei Federal 10.639/2003, que torna obrigatória a inserção de temas ligados à cultura afro-brasileira nas propostas pedagógicas, ainda é preciso desenvolver outras iniciativas que garantam a sua implementação, segundo o coordenador do Centro de Referência, Walmir França. O gestor apontou ainda a importância de voos diretos de Salvador com destino aos países africanos, no “intuito de facilitar o intercâmbio e estreitar as relações, que é um dos objetivos deste evento”.
Para a mestranda em estudos africanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lorena Marques, o encontro foi “enriquecedor, porque é uma oportunidade de conhecermos sobre o continente africano no contexto da globalização”. Já a representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Jussara Santana, disse que “esse tipo de evento é bom para que possamos nos afirmar, a cada dia, enquanto afrodescendentes e permanecermos ligados com a África, que é a nossa mãe”.
Também participaram do seminário o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da pasta, Sérgio São Bernardo, o mestrando em Cultura e Sociedade, Aaulai Baldé, de Guiné-Bissau, o doutor em Ciências Sociais, Detoubab Ndiayi, do Senegal, e o diretor geral da Casa de Angola na Bahia, Camilo Afonso.
União Africana
A UA foi criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africana, que “cumpriu seu papel de garantir a libertação do continente”, explicou Camilo Afonso. Os principais desafios da União Africana, segundo ele, são a integração econômica, as novas tecnologias e a solução dos conflitos étnicos.
O grupo está empenhado na promoção da democracia, dos direitos humanos e do desenvolvimento no continente africano, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio da “Nova Parceria para o Desenvolvimento da África”, que tem privilegiado projetos onde o termo “parceria” se sobreponha ao de “assistência”.