Caminhada da Pedra de Xangô reúne público pela diversidade religiosa

13/02/2017
Em sua oitava edição, a Caminhada da Pedra de Xangô aconteceu neste domingo (12), no bairro Cajazeiras X, na capital baiana. O evento, que contou com apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), foi aberto com o tradicional Padê de Exu, uma saudação para abrir os caminhos das centenas de religiosos de matriz africana. Na sequência, os participantes seguiram um trajeto entre o início da Avenida Assis Valente e o monumento, que é considerado sagrado pelo povo de Axé.

Atabaques, cânticos, roda de capoeira, dentre outras manifestações, marcaram a caminhada, com público vestido de branco, formado por religiosos de diversas gerações. Idealizadora da caminhada, Mãe Iara de Oxum destaca que o evento é um ato pela justiça e contra a intolerância religiosa, inclusive no local, que foi alvo de repetidas práticas de depredação. “Nossa religião afrodescendente é uma religião de resistência. É prazeroso saber que o nosso povo está unido numa única causa, pois a gente sofre preconceito em todos os momentos”, disse a ialorixá, ao lado de representantes de variados terreiros.

“Este evento contribui de forma expressiva para o diálogo na sociedade, pelo respeito à diversidade e enfrentamento à intolerância religiosa. Com esta iniciativa, os povos de terreiro fazem um apelo ao convívio harmônico entre as religiões, num espaço simbólico para este segmento. Trata-se da disseminação de uma mensagem da paz”, disse a gestora, acrescentando que o governo do Estado soma esforços à sociedade civil organizada, através do Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Sepromi, para recepção de denúncias, mediação e acompanhamento nos casos relacionados.

Histórica de resistência - Localizada na avenida Assis Valente, a pedra também é símbolo da luta pela libertação, pois ali se reuniam os negros no período colonial para organização do quilombo conhecido como Buraco do Tatu. A construção da via valorizou comercialmente a região e, desde a inauguração em 2010, os rumores de destruição do rochedo crescem junto com a especulação imobiliária, deixando a pedra exposta a atentados de intolerância religiosa. Na madrugada do dia 10 de novembro de 2015, por exemplo, foram destruídas oferendas e encontrada uma grande quantidade de sal grosso, além de pichações.

Xangô, um dos principais orixás no panteão africano, é o patrono da justiça. Kaô kabiesilê, sua saudação, em tradução aproximada para o português, significa “o rei quis assim”. Tem como parceira mais constante a orixá Iansã, embora se relacione também com Obá e Oxum. A rocha é sua força da natureza e o machado, seu símbolo.