Abril Indígena fortalece debate sobre questões étnico-raciais

15/04/2021
Identidade, defesa e garantia do território, visibilidade, educação voltada às questões étnico-raciais, dentre outros aspectos, foram debatidos durante uma live realizada nesta quinta-feira (15) em alusão ao Abril Indígena. Organizada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e órgãos parceiros, a atividade reuniu lideranças de etnias indígenas e representações governamentais, sendo acompanhada por um público diverso, a exemplo de estudantes, educadores, servidores estaduais e gestores municipais.

“Este foi um rico debate, cheio de ensinamentos neste calendário emblemático do Abril Indígena. Discutir os aspectos ligados à promoção da igualdade étnico-racial, a partir do olhar dos povos originários, é algo urgente e deve envolver todos os setores da sociedade. Um encontro que amplia ainda mais este processo de fortalecimento, aprimoramento e execução de políticas afirmativas, de valorização e reparação aos povos originários da Bahia e do Brasil”, destacou a secretária Fabya Reis.

Liderança da comunidade indígena Juerana, no Extremo-Sul baiano, Kandara Pataxó destaca que ainda há um longo caminho pela frente para a inclusão plena do segmento. “Os nossos direitos estão na Constituição Federal, mas nem sempre são garantidos. O caminho é o conhecimento, o debate e a busca pelas políticas públicas. No dia 19 de abril que se aproxima, por exemplo, gostaríamos de pedir respeito aos povos indígenas”, ressaltou.

“A educação é um caminho fundamental, sobretudo a partir da lei 11.645, para que os educadores apliquem em sala de aula a história dos povos originários. Somos os primeiros a habitar este país. O dia do povo indígena deve ser celebrado todos os dias em que pisamos neste solo da terra-mãe. Este é um mês inteiro de luta pelos direitos, sem dúvidas”, completou Juliana Amanayara, que pertence ao povo Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, é educadora e comunicadora.

O professor Felipe Tuxá, pesquisador do povo Tuxá, no município de Rodelas, afirmou que a presença indígena nos diversos espaços, principalmente na universidade, é uma estratégia de enfrentamento e combate ao silenciamento acerca das questões indígenas na sociedade brasileira. “O racismo contra povos indígenas é um tema que tem a ver com as diversas violências que vivemos. Há um apagamento muito grande de temas como este. Temos que lidar a marginalização do povo indígena, o senso comum, falta de conhecimento, preconceito e discriminação”, pontuou.

Ele ressaltou, ainda, que o Abril Indígena promovido pela Sepromi é uma oportunidade de trazer para a ordem do dia os temas relacionados ao povo indígena e à promoção da igualdade étnico-racial.

Participaram do encontro, ainda, o superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), Jones Carvalho, e o chefe de Gabinete da Secretaria da Educação (SEC), Cezar Lisboa.