Filhos do Congo promove empreendedorismo digital para mulheres negras e juventude

26/11/2020
A Associação Comunitária e Recreativa Afoxé Filhos do Congo iniciou nesta quarta-feira (25), em formato digital, as aulas do projeto Empreendedorismo Digital Incluso, iniciativa que conta com apoio do Edital da Década Afrodescendente, lançado pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). O objetivo é contribuir para a diminuição dos impactos econômicos causados pela pandemia de Covid-19 junto à população negra.

Com 60 pessoas inscritas e dois meses previstos de aulas virtuais, o projeto  oferecerá formação aliada à prática, trabalhando temas como capacitação de vendas online, racismo e desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais em tempos de pandemia, empreendedorismo feminino, marketing, fotografia de produtos, criação de catálogos digitais e pós-venda.

“Queremos desmistificar a ideia de utilização do mundo digital. Estamos com uma equipe muito capaz, dobramos a quantidade de inscritos e isto é resultado da confiança que foi dada à nossa proposta. Registro a grande oportunidade que a Sepromi ofereceu através do edital que possibilitou este projeto, tudo isso em meio às tantas dificuldades causadas pela”, ressaltou a presidente do Afoxé Filhos do Congo, Lindinalva Silva.

Além do curso, iniciado hoje, será criado um site, proporcionando um espaço para divulgação de produtos nas modalidades de artesanato e culinária, por exemplo, estimulando a comercialização e gerando renda. O foco são os segmentos das mulheres e juventudes negras que estejam em situação de vulnerabilidade social e econômica.

“Nosso trabalho enquanto afoxé não está concentrado só no carnaval, mas no cuidado às pessoas, da questão social e defesa do empreendedorismo negro. Com todas as dificuldades, vamos aos poucos atravessando as fronteiras e ajudando as pessoas dos quilombos e da cidade. A Sepromi tem feito sua parte e estamos caminhando juntos com o Governo do Estado neste objetivo”, pontuou Nadinho do Congo, fundador do Filhos do Congo.

Grande parte do público beneficiário enxergou no projeto a perspectiva de recolocação no mercado, inovação e divulgação de seus empreendimentos. “Eu trabalho com produção de sequilhos, bolos caseiros, doces e salgados. No momento estou sem produzir, mas penso em retomar as atividades. Encontrei esta oportunidade e quero aproveitar para aprender um pouco mais e divulgar meus produtos nas redes sociais”, ressaltou Maria Cristina. Já Ana Mary Correia destacou que percebeu a possibilidade de empreender em novos campos do mercado de trabalho. “Acompanho o Afoxé Filhos do Congo há algum tempo e sempre atuei profissionalmente na área da saúde. Agora quero trabalhar com a cultura negra, por isso estou neste curso. Abri uma empresa na área do afroturismo e vou divulgá-la”, concluiu.