
Um grupo de estudantes da Morehouse College, da cidade de Atlanta (Estados Unidos), conheceu, na tarde desta quinta-feira (28), o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, equipamento vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi). A visita faz parte do Programa de Intercâmbio Internacional do Instituto Steve Biko com a universidade, que foi criada com base na filosofia do ativista Marthin Luther King, para que homens negros pudessem ter acesso ao ensino superior.
Após um bate-papo com o coordenador do Centro de Referência, Walmir França, sobre a história de luta do movimento negro, tradições culturais e religiosas da população afrodescendente, e ações estratégicas desenvolvidas, os estudantes conferiram as instalações da unidade, que além de atender vítimas de racismo e intolerância religiosa, dispõe de uma biblioteca especializada e espaço para encontros sobre a temática.
“A visita me ajudou a entender como as organizações brasileiras estão trabalhando no enfrentamento ao racismo, o qual sabia que era um fenômeno global, mas nada como viajar pelo mundo para compreender melhor”, disse o estudante de sociologia e jornalismo, Alton Pitre, 24 anos, que pretende compartilhar sua experiência. “Definitivamente, levarei esse conhecimento ao meu país para contribuir na conscientização”. O que mais chamou a atenção do universitário foi saber que existe perseguição “às práticas de religiões de matriz africana no Brasil, o que me entristece”, disse Pitre.
Não foi diferente com Thomas Cox, 21 anos, do curso de economia. “Acredito que as pessoas devem ter o direito de praticar suas religiões livremente”. Cox comentou ainda das semelhanças e diferenças entre os dois países em relação à questão racial. “Ambos têm que enfrentar o racismo, mas nos Estados Unidos é mais explícito. Já no Brasil, percebo que a opressão é mais camuflada. Há um condicionamento no qual as pessoas acham que existe uma democracia racial”.
Troca de experiências
Ainda segundo Cox, é preciso unir esforços para ajudar a humanidade. “Todos nós fomos originados no continente africano, retirados dos nossos países e enviados para outras regiões. Somos uma grande família e podemos aprender uns com os outros”. O grupo, que já visitou outros espaços, como a Câmara Municipal de Salvador, o Teatro Castro Alves e o bairro do Pelourinho, além de participar de eventos e oficinas, fica na capital baiana até sábado (30).
Na Steve Biko, segundo a professora de inglês da instituição, Raquel Luciana de Souza, os estudantes participaram de várias palestras sobre a história do negro no Brasil. Para a educadora da universidade, Patrícia de Souza, “essa é uma oportunidade de ampliar o conhecimento dos jovens e identificar oportunidades de colaboração com outros países da diáspora africana para combater o racismo e promover os direitos humanos”.
O Centro
O equipamento funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h e das 14 às 17h, e atua em conjunto com a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, composta por instituições do poder público, universidades, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e organizações da sociedade civil. Sua sede está localizada na Avenida 7 de Setembro, Ed. Brasilgás, nº 282, 1º andar – Centro (mesmo prédio da Fundação Pedro Calmon), em Salvador. Para o coordenador Walmir França, a visita dos estudantes e profissionais da educação “é de extrema importância para troca de experiências, estreitando as relações entre os dois países, no combate ao racismo e à intolerância religiosa”.