Ação de enfrentamento ao racismo durante o Carnaval tem aprovação da população

09/02/2016

Antes mesmo de chegar ao Campo Grande para curtir os blocos de samba, o gari Ailton Oliveira disse que foi vítima de discriminação racial ao tentar entrar no ônibus com os colegas. “Os olhares se voltaram para minha cintura como em busca de alguma arma, e só abriram a porta porque a fila foi aumentando”. Esse é apenas um dos relatos registrados pelos técnicos da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) durante ação nos circuitos do Carnaval.

O atendimento nas ruas teve o objetivo de divulgar os serviços do Centro de Referência Nelson Mandela, orientando a população como proceder em situação de racismo ou intolerância religiosa, além de identificar e acompanhar casos do tipo durante a folia. “Agora sei dos meus direitos”, disse, com convicção, Oliveira após ler o material informativo e esclarecer suas dúvidas com a equipe.

De quinta (4) a terça (8) foram realizadas 446 entrevistas com foliões, ambulantes, cordeiros, turistas, seguranças, empresários e catadores de material reciclável sobre o assunto. Deste número, 39,9% da população abordada alega ter sofrido discriminação racial, sendo 10,1% em espaços públicos ou festas populares. Já 60,6% disseram ter presenciado o ato em algum momento da vida. 

Segundo a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, a pesquisa será útil para aperfeiçoamento e ampliação das políticas públicas direcionadas ao povo negro. “Este ano, expandimos nossa atuação pelo enfrentamento ao racismo durante o Carnaval com profissionais percorrendo, diariamente, os circuitos e posto fixo de mais visibilidade ”.

Trata-se do Procon, localizado no Centro de Salvador, onde teve apoio jurídico para vítimas de racismo e intolerância religiosa no Carnaval. “Dividimos o espaço com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, parceria que possibilitou a integração dos serviços”. Além do atendimento presencial, foram disponibilizados telefones, aplicativo para android e site para denúncias, numa iniciativa conjunta com a Ouvidoria Geral do Estado.

Acompanhamento

Todos os casos registrados durante a folia serão acompanhados pela Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, que reúne instituições do poder público e da sociedade civil, universidades e Sistema de Justiça. A iniciativa está associada à Década Internacional Afrodescendente, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê um conjunto de ações nos eixos do “Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento” para as comunidades negras até 2024.