Diversidade religiosa e resistência negra na Igreja do Rosário dos Pretos

05/10/2016
Símbolo da forte participação e resistência negra, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico de Salvador, realizou ontem (4) a tradicional missa da primeira terça-feira do mês. O ato religioso contou com a presença de fiéis, militantes do movimento negro e diversas autoridades, como a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis. A celebração foi presidida pelo capelão, o padre Lázaro Muniz.

Frequentada por católicos e membros de religiões de matriz africana, a Igreja do Rosário dos Pretos tornou-se espaço emblemático de encontro e afirmação negra na capital baiana, visitada por militantes e pessoas de diversos locais do Brasil e do mundo. “Vale destacar o respeito à diversidade religiosa aqui praticado, com expressões de fé de diferentes matrizes compondo a liturgia. Trata-se de um grande exemplo para todas e todos que lutam pelo combate à discriminação racial e à intolerância religiosa”, ressaltou a secretária da Sepromi, Fabya Reis.

No local está reunida, há 330 anos, a Irmandade dos Homens Pretos, uma das organizações religiosas mais antigas da Bahia, nascida no período do Brasil-Colônia, num conjunto de movimentos de resistência, quando os negros se organizavam em agrupações religiosas de ajuda mútua, algumas também chamadas de confrarias. Uma das principais devoções é dedicada a Antônio de Categeró, santo negro que viveu na condição de escravizado e após ganhar a liberdade dedicou-se à religião e ao trabalho de cuidar dos doentes, na África, sendo considerado pelos religiosos como um exemplo de superação e humanidade.

O padre Lázaro Muniz, celebrante desta terça-feira, destacou a importância da acolhida a todos os segmentos da população, na prática do serviço e da solidariedade, como forma de contribuir para as transformações sociais. “Precisamos refletir sobre a importância de oferecer a todos o que temos de melhor. É importante celebrar e viver esta experiência, criando uma fraternidade universal, na missão de contribuirmos para a efetivação de um mundo melhor”, afirmou, dirigindo preces pelas vítimas do racismo, da intolerância religiosa e de outras violências. Os vereadores Moisés Rocha e Sílvio Humberto também participaram das atividades.