Atos abrem calendário de ações do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

18/01/2018
Os bustos de Mãe Gilda e Mãe Runhó, em Itapuã e no Engenho Velho da Federação, respectivamente, foram visitados nesta quarta-feira (17), em Salvador, por integrantes de religiões de matriz africana, do movimento negro e representações do poder público. A ação abriu um ciclo de atividades alusivas ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que terão como ponto alto o próximo domingo, 21 de janeiro.

Flores e milho branco foram depositados nos monumentos que homenageiam as lideranças religiosas, reconhecidas como referências na luta em defesa da liberdade religiosa. “Estamos visitando espaços e casas de diferentes segmentos das religiões de matriz africana, num período emblemático de afirmação de lutas. Temos identificado, inclusive, no âmbito dos crimes de ódio religioso, uma incidência muito grande de violência contra o candomblé. Trazemos a mensagem da necessidade de valorização da diversidade e do respeito aos diferentes cultos na Bahia”, disse a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis.

“Considero fundamental refletirmos sobre as políticas de enfrentamento ao racismo religioso. Destaco que é importante caminhar junto, vivendo em clima de harmonia na nossa sociedade, no exercício das mais diferentes religiões”, ressaltou a yalorixá Jaciara Ribeiro, filha biológica de Mãe Gilda. Outra liderança visitada, Mãe Índia, do Terreiro do Bogum, destacou a mobilização como instrumento de mudanças. “É grandiosa a importância de lutarmos contra a intolerância religiosa, principalmente nesta casa centenária, que segue no seu trabalho e responsabilidade de cuidar dos filhos e da comunidade”, pontuou.

Os eventos contaram com a participação da vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Lindinalva de Paula, e do presidente da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa (ALBA), deputado Bira Corôa. Na programação, que segue até o dia 28, ainda constam visitas aos terreiros Oxumarê e Bate-Folha; roda do diálogo no terreiro Tumba Junsara, no próximo domingo (21); além de encontros interreligiosos realizados em parceria com Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/BA) e Ministério Público do Estado (MPE).

A data - O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído em 2007, pelo então presidente Lula, tendo o caso de Mãe Gilda como um dos mais emblemáticos na luta contra o racismo e o ódio religioso no país. Após ter a imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador) invadido e depredado por representantes de outra religião, a sacerdotisa teve agravamentos de problemas de saúde e faleceu em 21 de janeiro de 2000.

O episódio repercutiu amplamente, resultando em projetos de lei na esfera municipal e, em seguida, sendo reconhecido na esfera federal. A data é um marco para fomentar o debate acerca do respeito às diferentes crenças e à liberdade de culto.