“Um projeto cultural democrático tem que sustentar o respeito que as religiões afro merecem e têm direito pela contribuição que deram na formação desse país”, afirmou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, em encontro nesta terça-feira (14), no Teatro Vila Velha, em Salvador, com gestores culturais e representantes da sociedade civil. A atividade contou ainda com a participação dos secretários estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, e da Cultura (Secult), Jorge Portugal, além de outros dirigentes do governo federal, como o baiano Pola Ribeiro, que responde pela Secretaria do Audiovisual (SAV).
O ministro destacou ainda a importância dos povos e comunidades tradicionais na história, incluindo indígenas e quilombolas, e a necessidade de ações que contemplem os mais variados segmentos. “A Bahia é um dos principais centros culturais do país, com uma diversidade enorme e cultura de matriz africana que contribuiu decisivamente para identidade cultural brasileira”. Em sua passagem por Salvador, Juca já visitou Mãe Stella, do Ilê Axé Opó Afonjá, o Museu Afro e o Teatro Castro Alves (TCA), além do governador Rui Costa.
O objetivo do evento, nomeado de “Caravana da Cultura”, é aproximar o governo federal dos estados e municípios, artistas e produtores, para ouvir demandas e avaliar políticas públicas em conjunto. O cantor e compositor Tonho Matéria se sentiu contemplado quando o ministro anunciou que todo grupo cultural, com mais de dois anos de serviço à comunidade, será considerado um ponto de cultura. Também apresentou algumas reivindicações do segmento, como plano de aposentadoria, reconhecimento profissional, ações afirmativas e espaços para apresentação de artistas.
De acordo com a secretária Vera Lúcia, a discussão foi “muito produtiva para o fortalecimento de políticas em curso e criação de espaços e oportunidades voltados para população negra”. A gestora lembrou ainda que tem recebido diversos artistas, desde que assumiu a gestão, como o Bando de Teatro Olodum e os cantores Lazzo Matumbi e Juliana Ribeiro, para receber sugestões e articular iniciativas, junto às demais secretarias e órgãos estaduais, pela valorização da cultura negra. “Não foi em vão que produzimos uma campanha durante o Carnaval com essa temática, pois são inegáveis as contribuições da cultura negra na nossa história e para a identidade da Bahia”, concluiu a secretária.
