
Na ocasião, também foi autorizado o início do processo de licitação para obras de instalação de equipamentos no terreiro Ilê Axè Opó Afonjá, na capital baiana. O conjunto de intervenções totaliza R$ 4 milhões em investimentos. “São matrizes fundamentais na formação do povo brasileiro e por isso temos o dever de reconhecer a importância dos terreiros para nossas tradições e cultura”, afirmou o governador.
Também estiveram presentes o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Manuel Ribeiro e o de Promoção da Igualdade Racial, Ataíde Lima; o presidente da AFA, Leonel Monteiro, e o presidente da Acbantu, Raimundo Nonato – Taata Konmannanjy.
A assinatura do documento garante os recursos para a execução da terceira e quarta etapas, do total de seis, da parceria entre a Acbantu e o Governo do Estado. Aproximadamente 24 terreiros, que compõem a entidade, já foram contemplados pelo projeto e mais 28 estão em reforma.
Para Leonel Monteiro, as intervenções vão além da melhoria da estrutura dos terreiros. “Preservando a estrutura física desses espaços vivos de memória, onde aprendemos todo o legado deixado por nossa ancestralidade através de saberes e fazeres passados por meio da oralidade, temos a oportunidade de manter esses ritos perpetuados”.
Konmannanjy disse que “essa ação se coloca na questão da preservação do patrimônio material e imaterial inseridos no conceito de povos e comunidades tradicionais, que vem sofrendo sem essa valorização”.
Já a parceria com a AFA projeta contemplar mais dez territórios culturais de matrizes africanas. A ordem de serviço tem o objetivo de atender a demandas históricas dos representantes das religiões de matrizes africanas, referentes à reforma e conservação de terreiros, importantes patrimônios culturais baianos.
No total, os convênios contemplam 64 terreiros com obras de recuperação de telhados, instalações elétricas e hidráulicas, ampliação de estrutura física, delimitação de terrenos e contenções.
Acbantu
A Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu foi criada em 2000 com o objetivo de aglutinar pessoas e grupos para dar visibilidade à história da civilização negra brasileira, resgatando as tradições e buscando garantir que os povos e comunidades tradicionais afrodescendentes usufruam, de fato, dos direitos civis e políticos inerentes à nação brasileira, nas áreas de terra, educação, saúde, cultura, respeito religioso, trabalho, segurança alimentar e nutricional, entre outros.
AFA
A Associação Brasileira de preservação da Cultura Afro Ameríndia é uma instituição sem fins lucrativos, criada pelo desejo de tornar visíveis as raízes africanas e indígenas, que foram preservadas nas comunidades de terreiro e muito contribuíram na formação do povo brasileiro. O objetivo da AFA é contribuir para a preservação e o resgate do valor histórico-cultural e religioso das comunidades de terreiro e da floresta, assim como na difusão dos valores sociais herdados dos povos africanos e indígenas, promovendo o seu desenvolvimento.