Revolta dos Malês completa 180 anos neste domingo

08/09/2015

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Em 25 de janeiro de 1835, há exatos 180 anos, acontecia a Revolta dos Malês, importante capítulo da nossa história e da trajetória de resistência do povo negro contra o regime escravocrata no Brasil. A data é merecedora de destaque, sem dúvidas, pois é mais um exemplo do protagonismo dos negros nas lutas contra a escravidão, as diversas formas de violência, de opressão e imposição religiosa.

Comandado por negros de orientação religiosa islâmica, esse levante foi resultado de insatisfação pelas situações que lhe eram impostas, como a exploração, falta da liberdade de culto e a ausência de perspectiva de ascensão social. Partes dos relatos históricos citam, neste processo, episódios como reuniões e agrupamentos de malês de diversas regiões da capital baiana, até o confronto direto com as forças oficias da época. Apesar da pouca duração – um dia, segundo registros – as manifestações são consideradas emblemáticas por conta da repercussão e, principalmente, em virtude de ter sido uma clara oportunidade para expressar o descontentamento com as condições de vida à qual o povo africano estava submetido.

O episódio teve, lamentavelmente, consequências diversas, como prisão e assassinato de negros, porém, deixou uma forte mensagem às elites e ao sistema vigente, da possibilidade de revolta, da livre manifestação de opinião e exercício político. Neste 25 de janeiro, dia de importante resgate da memória, podemos afirmar que episódios como a Revolta dos Malês, além das tantas outras lutas e levantes populares, fortalecem o desejo de continuidade de construção da sociedade justa igualitária que almejamos.

Compreendemos, inclusive, que a verdadeira emancipação e libertação do povo negro é um processo, pois não se deu plenamente com a abolição. O trabalho e a luta pela garantia de direitos básicos e condições de cidadania dignas continuam. Por isso a necessidade de implementação de tantos instrumentos para a redução das desigualdades, a exemplo da própria construção da Constituição Federal, assim como a conquista de outros amparos legais, dentre eles, o recente Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa da Bahia.

Na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), registre-se, estamos à disposição para o diálogo acerca dos desafios atuais deste processo. A luta e a resistência permanecem, com diálogo franco e democrático. Reafirmamos o desejo para fazer o enfrentamento político contra as desigualdades sociais e raciais que atingem, historicamente, o povo negro da Bahia.

Salve o 25 de janeiro. Viva a Revolta dos Malês.