Sepromi e Secult debatem ações conjuntas e Novembro Negro

15/09/2016
Em reunião realizada nesta quinta-feira (15), em Salvador, a secretária de Promoção da Igualdade Racial do Estado, Fabya Reis, e o titular da Secretaria de Cultura (Secult), Jorge Portugal, discutiram o fortalecimento de políticas afirmativas na Bahia e atividades conjuntas para o Novembro Negro, mês considerado emblemático na luta racial no Brasil. O período é marcado pelo resgate do legado de Zumbi dos Palmares, liderança quilombola referência no combate à opressão e em defesa da população negra escravizada no país.

"O Novembro Negro na Bahia é uma agenda consolidada, de fato, com o protagonismo da sociedade civil, sendo incorporado pelas instituições governamentais. Nosso esforço acontece no intuito de fomentar um calendário forte, integrando o conjunto de secretarias e órgãos estaduais. Trata-se de uma oportunidade  para trabalharmos as mensagens da manutenção da luta antirracista, das conquistas e desafios que ainda temos pela frente", disse a secretária.

O secretário Jorge Portugal ressaltou a importância da integração do governo estadual com os movimentos sociais no reforço ao mês da consciência negra. "Quanto mais a gente marca o nosso calendário com a expressão das nossas lutas, mais conquistas teremos".

Dentre as atividades previstas para o mês estão a realização de feira, ações com povos e comunidades tradicionais, com mulheres, fomento à economia solidária, exibição de filmes, exposição, lançamento de edital e eventos esportivos com a juventude negra. Durante o encontro foram discutidos, ainda, assuntos referentes à regulamentação do capítulo da cultura no Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, debate que também envolve o CCPI, órgão vinculado à pasta.

Abertura - Na oportunidade foi acordado o formato da abertura da oficial do Novembro Negro, que acontecerá no dia 8 de março, dia em que são lembradas as execuções dos líderes negros da Revolta dos Búzios ( Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luiz Gonzaga e João de Deus), em 1799, após expressivo movimento popular contra o regime opressor do final do século XVIII. A abertura será feita pelo Bando de Teatro Olodum, com espetáculo alusivo aos heróis dos Búzios, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), tendo como público representações do movimento negro, educadores, jovens atendidos pelas Bases Comunitárias de Segurança (BCS), autoridades, dentre outros públicos.

O Bando de Teatro Olodum - Com 25 anos de atuação, o Bando de Teatro Olodum já faz parte da história do teatro baiano. Nascido no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, a companhia, formada por atores exclusivamente negros, é considerada a mais consolidada do atual cenário teatral baiano. É uma das poucas a manter um corpo estável, com elenco, diretores e técnicos. Em sua trajetória, o Bando construiu e consolidou uma dramaturgia e estética próprias, tendo o negro e sua tradição sociocultural como matéria-prima de seus espetáculos.