Com forte mobilização em todo o país, a Marcha das Mulheres Negras foi realizada nesta quarta-feira (18), em Brasília (DF), contando com representações de todos os estados e uma comitiva baiana formada por cerca de mil mulheres. Um grupo de ialorixás abriu a caminhada, que também teve a presença de mulheres quilombolas, indígenas, lésbicas e bissexuais, assentadas, dentre outros segmentos. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou da atividade, que ocupou as ruas da capital federal, passando pelo Congresso Nacional e terminando no Museu da República.
O tema da Marcha, que está na sua primeira edição, foi “Mulheres negras: contra o racismo, a violência e pelo bem viver", inspirando músicas e palavras de ordem ao longo do percurso. Apesar das conquistas de políticas públicas nos últimos anos pelas mulheres, o segmento aponta diversos desafios a serem superados no país. “Estamos marchando por uma política de desenvolvimento que inclua as mulheres negras brasileiras. As mulheres ainda permanecem na base da pirâmide social. Que as mulheres negras consigam vencer a violência, o machismo, além do racismo e todas as formas de discriminação”, defendeu Lindinalva de Paula, da Rede de Mulheres Negras da Bahia.
A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Vera Lúcia Barbosa, avaliou a mobilização como “espaço para o diálogo, integração de uma grande diversidade de mulheres brasileiras e pautas legítimas que apontam para a necessidade de ampliação de políticas públicas raciais e de gênero”. Ela destacou marcos importantes na Bahia, a exemplo do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, com capítulo específico para as mulheres negras, prevendo a intensificação de ações nas áreas da saúde, educação, acesso ao trabalho e renda. “Estamos trabalhando fortemente para acelerar discussões sobre a regulamentação deste capítulo, que fortalecerá ainda mais as ações governamentais junto ao segmento”, afirmou.
Já a ministra de Políticas para as Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino, afirmou que o governo Federal reconhece a legitimidade da luta diária das mulheres pela ampliação da garantia de direitos. “Hoje as mulheres negras mostram mais uma vez, ao Brasil e ao mundo, a nossa força e persistência. O lugar da mulher negra é onde ela quiser estar. Estamos juntas, pois esta é uma luta de todo o Brasil. Vamos articular ainda mais as políticas que garantam os direitos das mulheres negras”, ressaltou.
Aurenice Oliveira, do município baiano de Anagé, estava acompanhada de uma delegação de 30 mulheres e reforçou o propósito da mobilização em Brasília. “Estamos aqui pelo combate ao racismo, à violência de gênero e às discriminações. Acredito que a partir desta Marcha podemos influenciar na quebra de paradigmas e avançar nas nossas conquistas”, avaliou. Ana Bispo, do município de São Francisco do Conde, defendeu a participação política das mulheres. “Nós, mulheres negras, lutamos pela ocupação dos espaços de poder. Queremos reforçar nossa presença nas Câmaras de Vereadores, no Senado, na Câmara dos Deputados e em diversas esferas do poder público”, completou.
Ao final das atividades, uma comissão de mulheres foi recebida pela presidenta Dilma Rousseff, acompanhada da ministra Nilma Lino e da secretária de Políticas para as Mulheres da pasta, Eleonora Menicucci, dentre outras representações.