14/01/2019
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), através do Centro de Referência Nelson Mandela, está acompanhando o caso do terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare (Casa do Mensageiro), invadido por homens armados no último sábado (12), durante cerimônia religiosa em Barra do Pojuca, em Camaçari, onde está localizado o templo. No momento, cerca de 150 pessoas estavam no local e muitos tiveram seus pertences roubados. O babalorixá Rychelmy Imbiriba foi uma das vítimas, também sofrendo violência física.
"Teve todo um processo de xingamento, daí você percebe que não era só um assalto, mas um ódio da religiosidade, desse processo todo de axé, que a gente carrega da nossa ancestralidade. Foi um momento de terror, a gente não está preparado para uma situação dessas. Todo mundo ficou nervoso e eles diziam ‘não quero macumbeiro aqui”, detalhou o babalorixá.
A secretária da Sepromi, Fabya Reis, recebeu o babalorixá e a comunidade religiosa nesta segunda-feira (14), repudiando o ocorrido e colocando toda a estrutura do Centro Nelson Mandela à disposição, inclusive com apoio jurídico e psicológico aos religiosos. “Além desta ação de fortalecimento, estamos em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), também acionando toda a rede de órgãos estaduais, a exemplo de Ministério Público (MP), Defensoria Pública do Estado (DPE) e Tribunal de Justiça (TJ)”, informou.
Fabya Reis ressaltou, ainda, a importância da visibilidade destes tipos de ocorrência. “Temos percebido um crescimento no número de ataques a terreiros. Por isso a denuncia é tão importante, uma vez que essa medida cria subsídios, estatísticas, contribui para o aprimoramento das políticas públicas. O ato de registrar os fatos potencializa muito o enfrentamento a este tipo de crime”, pontuou a secretária.
Dentre as primeiras medidas da Sepromi neste caso está o acompanhamento junto à 33ª Delegacia Territorial, onde a queixa está registrada, além da intermediação para reforço às rondas policiais nas imediações do terreiro.