RMS mobilizada no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

22/01/2019
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, nesta segunda-feira (21), mobilizou representações de diversos segmentos na Região Metropolitana de Salvador. A data, instituída em 2007, é uma homenagem à Yalorixá Gildásia do Santos, a Mãe Gilda, referência na luta contra o racismo e o ódio religioso no país. Ela faleceu em 2000, após ter a imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador) invadido por representantes de outra religião. A líder religiosa teve seus problemas de saúde agravados, o que a levou à morte.


O primeiro ato do dia aconteceu no busto da Mãe Gilda, no Parque Metropolitano do Abaeté, reunindo a comunidade religiosa e familiares, a exemplo de Mãe Jaciara Ribeiro, sua filha biológica e sucessora no terreiro. Na sequência, ainda pela manhã, foram depositadas flores brancas na Pedra de Xangô, localizada na Avenida Assis Valente, bairro Cajazeiras 10, espaço que foi alvo de sucessivos ataques com sal grosso.


As atividades acontecem diante de números crescentes de intolerância religiosa na Bahia. O Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, implantado em 2013, já registrou um total de 153 casos de violação de direitos no campo religioso. As situações específicas de invasão e depredação de espaços sagrados das religiões de matriz africana somam 17.


“Muitas pessoas ainda desconhecem que intolerância religiosa é crime com previsão de detenção. Por isso trabalhamos para orientar a população. Além do apoio psicológico e jurídico, remetemos os casos à Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, composta por órgãos do Sistema de Justiça, universidades e sociedade civil. Atuamos em diversas frentes para que aconteça a responsabilização neste tipo de episódio e possamos contribuir para a convivência harmônica em sociedade. O patromônio e a liberdade das religiões afro-brasileiras precisam ser preservados”, destacou a titular da Sepromi, Fabya Reis.


Na parte da tarde, em Barra de Pojuca, no município de Camaçari, foi realizado um ato em desagravo à Casa do Mensageiro (Ilê Axé Ojisé Olodumare), invadido por homens armados no último sábado (12). Os criminosos roubaram diversos pertences dos religiosos que participavam da cerimônia, também agindo com violência física e insultos às religiões de matriz africana.


Políticas públicas - Na Bahia, dentre políticas públicas na área está o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, serviço de atendimento gratuito, em funcionamento na Avenida Manoel Dias da Silva, 2.177, no bairro da Pituba, em Salvador. Vinculado à Sepromi, o equipamento oferece apoio social e jurídico a vítimas, desde dezembro de 2013. Além do atendimento, o público pode acessar uma biblioteca especializada em nos temas voltados às relações étnico-raciais.


Unidade Móvel – A Bahia dispõe, ainda, da Unidade Móvel do Centro Nelson Mandela, serviço que tem ampliado a atenção aos casos. No equipamento são oferecidas informações, atendimento preventivo e acolhimento de denúncias de violação de direitos nas esferas racial e religiosa. Ao longo do ano o serviço é oferecido em festas populares e eventos dos diversos territórios de identidade da Bahia.