‘A Cor do Trabalho’, documentário que trata da história, formação e desenvolvimento dos empreendedores negros na Bahia, foi exibido, nesta sexta-feira (10), no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).
A estudante Aila Oliveira, 17 anos, aprovou a iniciativa. “Assisti porque acredito que seja importante a produção de negros para negros, principalmente porque somos subjugados e discriminados quando decidimos alcançar outras posições sociais e ultrapassar as barreiras que nos impedem historicamente. A caminhada não é fácil, mas é possível sair do local para o qual o negro foi imposto”, afirmou.
A atividade contou ainda com a participação do diretor e cineasta, Antonio Olavo, que detalhou a concepção do projeto. “Construímos um produto que apresenta a trajetória vitoriosa de homens e mulheres para que as pessoas tenham uma referência. É preciso que a juventude negra perceba que há várias opções”.
A obra tem relatos de médicos, engenheiros, empresários, estilistas e outros profissionais. “O negro não está destinado apenas ao trabalho doméstico, música e futebol. Existem outras possibilidades e é isso que pretendemos mostrar. A história não é só de sofrimento, humilhação e escravidão. É de luta, resistência, vitória, prazer e alegria. Um dos maiores industriais foi Luis Tarquínio, que era negro e pouca gente sabe”, concluiu Olavo.
O documentário, realizado pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do estado (Setre), com produção da Portfolium Laboratório de Imagens, tem como público alvo estudantes de escolas públicas e está sendo distribuído gratuitamente em unidades da rede de ensino e para entidades que lutam pela valorização da cultura negra.
Empreendedorismo negro
Com base na Lei nº 13.208/14, que instituiu a Política Estadual de Fomento ao Empreendedorismo de Negros e Mulheres, a Sepromi e a Setre articulam um edital conjunto para atender ao segmento, dentro da transversalidade que norteia a nova administração do Governo do Estado. A decisão foi tomada após reunião, no início desta semana, envolvendo os titulares das pastas e representantes do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), de onde serão originados os recursos para atender à chamada pública.
A resolução tem como objetivo criar condições para aumentar a inclusão, a produtividade e o desenvolvimento sustentável de empreendimentos liderados por negros e mulheres no mercado. Neste sentido, serão implementadas ações de fomento, assistência técnica, desburocratização jurídica das iniciativas e do acesso ao crédito, bem como da formação e qualificação em gestão, de modo a propiciar a redução do desemprego, do subemprego e de outras formas precárias de ocupação da força de trabalho que atingem, especialmente, mulheres e negros, no âmbito do Estado da Bahia.
O Centro
Além do atendimento a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia, o Centro de Referência Nelson Mandela dispõe de uma biblioteca especializada em relações raciais e promove atividades voltadas para a valorização da cultura negra e o combate à discriminação, geralmente nas sextas-feiras.
“No dia 27, realizamos um seminário sobre laicidade e seus impactos nas esferas do Direito, Psicologia, Saúde e Serviço Social, com profissionais e estudantes das áreas. Foi um debate muito rico. Hoje exibimos ‘A Cor do Trabalho’, de igual importância para formação dos presentes”, disse o coordenador do Centro, Walmir França.
O equipamento funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h e das 14 às 17h, e atua em conjunto com a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, composta por instituições do poder público, universidades, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e organizações da sociedade civil.
