Lançado programa de Mapeamento dos Terreiros de Camaçari

08/09/2015
_DSC0156






















    As religiões de matrizes africanas deram mais um passo no reconhecimento cultural e social no município de Camaçari. Foi lançado nesta quinta-feira (27) o programa de Mapeamento dos Terreiros de Camaçari, na Cidade de Saber. Dentre as diversas conquistas, o instrumento vai viabilizar a imunidade tributária, como é dada a igrejas católicas e evangélicas, e qualificar as políticas públicas e culturais voltadas para este segmento religioso.

     

    A partir de hoje, informações como geolocalização (coordenadas geográficas), números de terreiros, nações originárias, ano de fundação e média de frequentadores estarão disponíveis para toda a população, podendo, por exemplo, serem utilizadas nos programas de Governo e por pesquisadores da área. As informações estão disponíveis no endereço eletrônico www.secinpmc.org/copir.

    Ao acessar o site, o internauta pode ver os pontos onde estão situados os 50 primeiros terreiros mapeados. A previsão é de que até 400 espaços similares sejam identificados até novembro de 2015, quando deve estar pronto o trabalho que envolve diversas secretarias municipais.
    A iniciativa faz parte do PCRI (Programa de Combate ao Racismo Institucional), coordenado pela Secin (Secretaria da Cidadania e Inclusão).

    Caberá à Sedur (Secretaria do Desenvolvimento Urbano) a responsabilidade pelo georreferenciamento feito por GPS (Global Position System). À Secult (Secretaria da Cultura) e à Sefaz (Secretaria da Sefaz) compete homologar as informações para a elaboração de políticas relacionadas às respectivas pastas.

    A iniciativa foi elogiada pelo secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo Nascimento, por revelar um município instrumentalizado na luta pela inclusão. O presidente da Fenacab (Federação Nacional de Culto Afro Brasileiro) em Camaçari, Paulo Paixão, disse que se sente muito feliz de ver Camaçari dar mais este passo no reconhecimento das religiões de matrizes africanas.

    Conquistas

    Para o babalorixá João Fernando Rodrigues, conhecido como Pai João do Tempo, do Terreiro Tempo Moílo, no Loteamento Montenegro, os ganhos adquiridos com o mapeamento equiparam os direitos dos terreiros às igrejas de matrizes cristã. “Com isso, nós não vamos pagar IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e isso já é uma grande ajuda”, exemplificou o sacerdote. Além da imunidade tributária, o mapeamento vai contribuir para que os espaços adquiram o direito à tarifa social, reduzindo os valores cobrados de água e energia elétrica dos terreiros.

    Porém, para o babalorixá Roberto de Jesus Silva, Pai Roberto de d´Oxóssi, do Terreiro Asé Òlóodé Omilalá, no Parque das Mangabas, o georreferenciamento vai delimitar não somente o terreno pertencente ao terreiro, mas a área sagrada do entorno. Isso vai proteger o patrimônio ambiental e religioso da especulação imobiliária, como as árvores sagradas, por exemplo, e vai ajudar na elaboração de leis que preservem a vegetação do local, uma vez que as religiões de matriz africana estão intimamente ligadas aos elementos da natureza.

    Ainda durante o lançamento do Mapeamento de Terreiros de Camaçari, foi oficializado o Tombamento do Terreiro Unzó Mutagueremi como patrimônio material de Camaçari. Em funcionamento desde 1922, é o mais antigo em atividade no município e se situa no bairro Triângulo.

    O lançamento foi feito pelo secretário da Cidadania e Inclusão, Fabio Pereira, e pelo Coordenador de Promoção da Igualdade Racial, João Borges. O evento contou também com a presença dos secretários da Cultura, Vital Vasconcelos, do Desenvolvimento Urbano, Ana Lúcia Costa e o vereador Marcelino Filho (PT).

    Clique aqui para conferir outras fotos do evento

    Texto: Ascom/Prefeitura de Camaçari
    Foto: Ascom/Sepromi