Temática racial está presente na programação da Flica

16/10/2015
O segundo dia da Feira Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), nesta quinta-feira (15), foi marcado pela divulgação de livros e manifestações culturais negras. No Espaço Educar para Transformar, que funciona na Praça da Aclamação, foram socializadas publicações que tratam de temas associados às questões étnico raciais, numa sala de leitura específica, batizada de Milton Santos, em alusão ao geógrafo e acadêmico de atuação marcante na história da Bahia. 

O trabalho é coordenado pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), dentro das ações da Década Internacional Afrodescendente. O governador em exercício, João Leão, visitou o local, juntamente com os secretários de Cultura, Jorge Portugal, do Turismo, Nelson Pellegrino, da Educação, Osvaldo Barreto, o prefeito Carlos Pereira, dentre outras personalidades.

O governador em exercício destacou a grandeza do evento, realizado há cinco anos consecutivos, com apoio do programa estadual Faz Cultura. “O intuito é transformar a Flica num dos maiores eventos do interior da Bahia. Cachoeira e o povo da Bahia merecem”, afirmou João Leão, ressaltando ainda que o Governo do Estado ampliou sua atuação na Flica, com a participação articulada de diferentes secretarias e órgãos para o desenvolvimento de atividades relacionadas às áreas de educação, cultura e turismo.

Escritor homenageado desta edição, Antônio Torres ressaltou o envolvimento da população na Flica, considerada um dos principais eventos culturais do país. “A cidade está mobilizada, cheia de gente. É uma festa bonita para a Bahia e o Brasil, inclusive para a literatura. Viva à Cachoeira e obrigado a esse povo tão ‘porreta’, como se dizia antigamente”, comemorou Torres, também jornalista e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras.

Convidada pela Sepromi, a editora Ogum’s Toques levou ao espaço a coletânea poética “Toques Negros”, a publicação “Encantadas”, de José Carlos Limeira, além de “Correntezas e outros estudos marinhos”, de autoria de Lívia Natália, esta última presente no espaço. “Estamos apresentando diversos escritores e escritoras negras, com bate papo mais direto com o público”, explicou o editor Guellwaar Adún que ressaltou, também, a necessidade de abertura do mercado editorial para este segmento. 

No início da noite o público lotou a Arena Flica, para assistir o Bando de Teatro Olodum, que apresentou o sarau Vozes Negras, dirigido por Jorge Washington. Com mais de 20 anos ininterruptos de atuação, nascido no Centro Histórico de Salvador, a companhia é formada por elenco exclusivamente negro. Em sua trajetória, construiu e consolidou uma dramaturgia e estética próprias, tendo as questões raciais e sua tradição sociocultural como matéria-prima para o trabalho.

Mais atividades - Nesta sexta-feira (16), a partir das 11:30 horas, a literatura negra infantil será trabalhada, com participação do educador Jorge Conceição, que fará contação de história a partir da série “Boi Multicor”. A atividade acontece no Cine Cine-Teatro Cahoeirano. 

No Espaço Educar para Transformar/Sala Milton Santos, às 18 horas, estão previstos os lançamentos os livros “Pele da Cor da Noite”, de Vanda Machado, doutora em Educação e pesquisadora de cultura afro-brasileira, além da obra “Edvaldo Bala Valério – a Braçada da Esperança”, do jornalista Raphael Carneiro, que trata da trajetória de Edvaldo Valério, primeiro negro brasileiro a ganhar uma medalha olímpica na natação.

À noite, a programação musical da Flica conta com show do cantor de Sine Calmon, natural de Cachoeira e uma das mais expressivas personalidades do reggae no Brasil. A programação completa da Flica pode ser acessada emwww.flica.com.br.