26/11/2018
Representantes de religiões de matriz africana e ativistas de diversas áreas participaram neste domingo (25), em Salvador, da celebração alusiva aos quatro anos de instalação do busto de Mãe Gilda de Ogum, no Parque Metropolitano do Abaeté. O monumento é uma homenagem à religiosa considerada referência da luta pela liberdade religiosa no país.
As atividades, que integraram a agenda do Novembro Negro da Bahia, contaram com ato religioso em frente ao busto, almoço coletivo e atividades culturais na sede do bloco afro Malê Debalê, no mesmo bairro.
À frente da mobilização, a yalorixá Jaciara Ribeiro, filha biológica de Mãe Gilda, afirmou que o evento reforça a luta e resistência pelo combate ao racismo e à intolerância religiosa. “É, antes de tudo, um momento de celebrar e resistir. Não podemos dar nenhum passo atrás. Vamos permanecer de pé”, pontuou a liderança religiosa.
Para a secretária da Sepromi, Fabya Reis, o trabalho comunitário e o respeito à diversidade são os principais legados do trabalho de Mãe Gilda. “Mãe Gilda e essa comunidade representam a luta pela liberdade religiosa e contra toda forma de opressão ao povo negro. Neste dia de enfrentamento mundial à violência contra as mulheres, reafirmamos que resistência é, de fato, a palavra de ordem. Nossa saudação e reconhecimento à Mãe Jaciara Ribeiro, uma mulher que leva adiante o ativismo e dedicação ao sagrado”, ressaltou.
Caso emblemático – A yalorixá GIldásia dos Santos (Mãe Gilda) tornou-se inspiração para criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, lembrado todo dia 21 de janeiro. Neste dia, no ano de 2000, a religiosa faleceu após agravamento em seu quadro de saúde, em virtude de ter a imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum) invadido e depredado por representantes de outra religião.
Em 2007, após ampla repercussão do caso em todo o país, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído pelo então presidente Lula.