Tese de doutorado aborda relação entre Estado e comunidade de Bijagós, na Guiné-Bissau

03/09/2015

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A Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA) sediou na tarde desta sexta-feira (12), em Salvador, a defesa de uma tese de doutorado elaborada pelo estudante Augusto Cardoso, que é oriundo de Guiné-Bissau. O trabalho abordou a gestão e conservação da sociobiodiversidade em Bijagós, arquipélago do país africano, composto por 19 ilhas habitadas e com expressivo volume de saberes e práticas tradicionais, segundo os estudos do guineense. A orientadora da tese foi parofessora adjunta da UFBA, Maria Elisabete dos Santos, doutora em Administração pela Universidade de São Paulo (USP).

Integrando a banca examinadora, a coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais da Sepromi, Fabya Reis, considerou que o estudo apresentou uma experiência relevante e particular na construção da relação entre Estado e comunidades tradicionais. Para ela, trata-se de um estudo importante no sentido de “pensar políticas públicas de proteção e conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável dos territórios” destes segmentos populacionais. A coordenadora, que também é pós doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), informou que a banca aprovou o trabalho e recomendando sua publicação.

Num trecho da tese é possível compreender a linha de reflexão colocada pelo estudante Augusto Cardoso. “O saber e a prática tradicional Bijagós são tidos como instrumentos importantes na conservação do meio ambiente. Mostra-se a relação do saber tecnotradicional e do conhecimento científico na organização, gestão e conservação da biodiversidade através das práticas costumeiras de caráter coletivo de reservas de algumas ilhas, matas e sítios como lugares sagrados e as normas tradicionais costumeiras da etnia que controlam o seu uso local, numa hierarquia horizontalizada e através da transmissão oral do velho para o mais novo”.

A banca examinadora contou, ainda, com as participações da Profª Drª. Maria de Lurdes; da Profª Drª. Mônica de A. Mac-Allister da Silva; e com o parecer do Prof. PHD. Justino Biai, chefe de Programa do Instituto da Biodiversidade das Áreas Protegidas (IBAP) da Guiné-Bissau. O historiador e professor Jaime Sodré e um conjunto de lideranças do movimento negro da Bahia também estiveram presentes na atividade. “Foi um rico momento, sem dúvidas, que possibilitou o compartilhamento dessa experiência do povo tradicional Bijagós, aproximando ainda mais Brasil e África, que já são estão ligados intrinsicamente pelas trajetórias dos seus povos”, concluiu a coordenadora Fabya Reis.