No esforço para o enfrentamento à discriminação racial e de gênero e às demais formas de violação de direitos no cotidiano do ensino superior, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) decidiu implantar uma ouvidoria, que deverá iniciar o atendimento em novembro. A ideia é que o canal não sirva apenas para recebimento de denúncias. “Precisamos ser proativos, especialmente nessas questões, educando a comunidade para convivência com a diversidade”, explicou o reitor Evandro Silva para titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, durante encontro na sede da pasta, em Salvador, nesta terça-feira (06).
Outro ponto destacado pelo reitor da UEFS é o uso do nome social pelos educandos – reivindicação da comunidade LGBT, incorporada pela instituição de ensino. Aliado a esta ação, segundo ele, há necessidade de preparação do público interno para o respeito a outro direito, especificamente o da liberdade religiosa, uma vez que é preciso preservar a universidade como “um espaço laico”. Ainda na reunião foram discutidas políticas para democratizar o acesso e permanência de cotistas, que hoje somam mais de 4,7 mil oriundos da escola pública na universidade. Nesse âmbito, Evandro falou da importância de iniciativas para nivelamento do conhecimento pelos calouros, principalmente em produção de texto e matemática, além de acompanhar o seu desenvolvimento.
A secretária Vera Lúcia Barbosa parabenizou a atuação da UEFS na Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia, que é composta por instituições do poder público, universidades, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil sob a coordenação da Sepromi. Ela colocou, ainda, a equipe da pasta à disposição para formular parcerias ligadas à temática, seja nessa instância ou no grupo de trabalho da educação, apontando a Década Estadual Afrodescendente como oportunidade para realização de diversas atividades conjuntas.
A capacitação de professores na área das relações raciais é outro desafio, assim como a ampliação e criação, respectivamente, das residências indígena e quilombola. Atualmente, são oferecidas duas vagas para cada segmento nos cursos de graduação. Também participaram da reunião o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, o assessor especial da pasta, Ailton Ferreira, e Otto Agra, da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE) da UEFS, que completa um ano no dia 24 deste mês.
Micareta
No início deste ano, a UEFS foi parceira da Sepromi na Micareta de Feira de Santana, onde foi instalado posto de atendimento para casos de racismo e intolerância religiosa durante a folia. Também contribuíram o Conselho Municipal das Comunidades Negras e Indígenas (COMDECNI) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedeso), através do Departamento de Promoção da Igualdade de Gênero, Igualdade Racial e de Juventude e do Centro de Referência Maria Quitéria.