Marcha do Empoderamento Crespo é destaque na luta antirracista

14/11/2016
A afirmação negra através da estética foi evidenciada na capital baiana neste sábado (13), nas principais ruas do centro, com mais uma edição da Marcha do Empoderamento Crespo. Ativistas do movimento negro, dos segmentos estudantil, feminista, acadêmico e da área cultural caminharam do Campo Grande à Praça Castro Alves, propagando a bandeira dos direitos das mulheres, da juventude, do combate ao racismo, dentre outras pautas. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou da mobilização, que integra as ações do Novembro Negro na Bahia.

De acordo com Naira Gomes, do coletivo de organização do evento, a ideia é contribuir para a ressignificação das referências e estereótipos negativos presentes na sociedade. “Esse movimento é um marco político, justamente na tentativa de mudarmos o padrão estético colocado. Assim nos mantemos vivas, orgulhosas e com autoestima, ocupando espaços que historicamente o racismo nos negou”, afirmou. A Marcha foi iniciada com uma homenagem ao cabeleireiro Valdir Macário, assassinado no último sábado (12), no local de trabalho, em Salvador. O profissional era um dos principais nomes no mercado baiano da estética negra.

A secretária da Sepromi, Fabya Reis, destacou a pluralidade presente na atividade, afirmando que o movimento já está consolidado como uma frente de resistência negra contra as intolerâncias. “A afirmação das questões identitárias é o ponto alto desta manifestação, que vem somando significamente à luta antirracista na Bahia”. Ela informou que do ponto de vista do Estado, em articulação com um conjunto de secretarias e órgãos, a pasta tem concentrado esforços no combate ao racismo institucional, na tentativa de impactar positivamente nas estruturas estatais e nos serviços públicos.

A gestora ressaltou o trabalho pela implementação do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, marco legal importante para amparar das pautas da sociedade civil organizada, com capítulos específicos destinados às políticas de combate ao racismo, garantia dos direitos das mulheres negras, fomento à cultura afro-brasileira na Bahia, dentre outras medidas. Ela lembrou, ainda, da atuação do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, equipamento público mantido pela Sepromi, voltado ao enfrentamento das violações de direito na área.

Confira outras fotos AQUI