Exposição fotográfica Vidas Refugiadas promove reflexão sobre gênero e racismo

01/02/2017
A mostra fotográfica “Vidas Refugiadas”, que retrata o cotidiano de oito mulheres refugiadas no Brasil, foi inaugurada nesta terça-feira (31), no Palacete das Artes, em Salvador. Com 22 imagens produzidas pelo fotógrafo Victor Moriyama, a exposição tem entrada gratuita e segue até o dia 5 de março. O funcionamento ocorre de terça-feira a sexta-feira, das 13h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h. O evento de abertura contou com a presença de militantes da defesa dos direitos humanos, pesquisadores, além de representação das secretaria de Cultura (Secult) e de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

O fotógrafo Victor Moriyama afirmou que a realização do projeto foi uma oportunidade para conhecer mais de perto as refugiadas, suas necessidades e dilemas. “É um projeto que está em andamento e tornou-se grande. Acompanhamos estas mulheres de diversas formas, com campanhas solidárias, mobilizações políticas para trazer os familiares que ainda estão nos países de origem, em situações de conflito. Vivemos numa sociedade global machista e as mulheres representam uma grande parte nesses processos de refúgio. Queremos dar voz e empoderamento a elas”, disse. Ele informou que a exposição já percorreu as capitais Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Através das fotos clicadas em estúdio e no cotidiano das personagens, a mostra traz reflexões sobre os valores e esforços destas mulheres para a construção de dias melhores no país de acolhida. A titular da Sepromi, Fabya Reis, destacou que a inclusão plena e garantia dos seus direitos de cidadania é um grande desafio para os poderes públicos e o conjunto da sociedade. “Lamentavelmente temos um cenário mundial que coloca historicamente as mulheres, sobretudo negras, na condição de maior vulnerabilidade, com sérias violações de direitos. São atingidas fortemente por diversas situações de opressão, exploração, guerras, políticas restritivas, conflitos religiosos e de outras ordens. E o racismo, sem dúvidas, é um fator que estrutura essa desigualdade”, disse a gestora.

Superação - A refugiada Nckechinyere Jonathan, da Nigéria, participou de uma roda de conversa e falou sobre sua luta. Ela se opôs, em seu local de origem, a um conjunto de leis islâmicas radiciais que impõe regras violentas e de ameaça aos direitos das mulheres. “Ser uma refugiada é uma circunstância da vida. Precisamos encorajar aquelas que estão nessa condição, sofrendo. Vejo, a todo tempo, mulheres do meu país chorando e fugindo”, disse Jonathan, que espera resgatar seus quatro filhos e trazê-los ao Brasil. “Graças a Deus o governo brasileiro já reconheceu a minha situação de refúgio”, comemorou.

A curadora a curadora do projeto, Gabriela Ferraz diz que não se pode lidar com o processo de refúgio sob a ótica da caridade ou da pena e, por isso, é preciso contar com instituições, atores e atrizes variados, para que “entendem seu papel político em relação às massivas violações aos direitos das pessoas em deslocamento”. Também marcaram presença a diretora do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos Mercosul (IPPDH), Corina Leguizamón, além de Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à Secult.

Parcerias - O Palacete das Artes, parceiro da iniciativa, é um equipamento vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O IPPDH apoia a mostra no âmbito do Projeto de Cooperação Humanitária Internacional para Migrantes, Apátridas, Refugiados e Vítimas do Tráfico de Pessoas. A exposição conta, ainda, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) no Brasil, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da ONG Human Rights Watch.


SERVIÇO

O quê: Exposição fotográfica “Vidas Refugiadas”

Período de visitação: Até 5 de março de 2017 (gratuito).

Dias e horários:
Terça-feira a sexta-feira, das 13h às 19h.
Sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h.

Local: Palacete das Artes (Rua da Graça, 284 – Graça – Salvador/BA).

Com informações da Secult