20/01/2017
Viveremos neste 21 de janeiro mais um Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, um convite para o diálogo e resgate de lutas históricas. Momento de destacar, sobretudo, o que é preconizado pela nossa Constituição Federal, colocando o Estado brasileiro na condição de atuar com laicidade, garantindo o livre exercício dos cultos religiosos, proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
Um triste episódio inspirou a criação da data, pelo então presidente Lula, em 2007. O crime de ódio tirou a vida da yalorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, que teve sua imagem maculada e o terreiro Abassá de Ogum, em Salvador, violado por membros de outro segmento religioso. O caso motiva profunda reflexão, sendo instrumento de debate e resistência. Este episódio, somado aos chamamentos do Centro de Estudos Orientais da UFBA (CEAO) e Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), ampliaram os debates que culminaram na instituição deste dia.
Vale registrar que a trajetória de Mãe Gilda deixou um legado de dedicação ao sagrado e respeito à diversidade religiosa. Com as demais contribuições civilizatórias do Candomblé, a sua jornada inspira o enfrentamento à opressão, frente ao crescimento da intolerância religiosa. Balanço divulgado pelo Governo Federal em novembro aponta um aumento nos registros, em 69%, no período de um ano. Já o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Sepromi, reúne quase uma centena de casos desde 2013.
As ocorrências são diversas, como depredação dos espaços sagrados, agressão física e verbal às suas lideranças. Também afetam na oferta dos serviços públicos, quando atendimentos são negados à população sob influência das doutrinações e falta de diálogo. A intolerância religiosa, portanto, impede o acesso às políticas públicas, adoece e tira vidas.
Para enfrentamento a este fenômeno a Sepromi tem feito esforços para o cumprimento do Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, bem como ações de sensibilização. Nas nossas atribuições, inclusive, está a coordenação da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, acompanhando, juntamente com o Sistema Integrado de Justiça, todos os processos recepcionados.
Destacamos ainda o movimento das universidades, ao incorporarem disciplinas sobre cultura e história africana, e na aproximação e valorização as religiões de matriz africana. Outro destaque é a atuação de lideranças evangélicas e cristãs católicas, que de forma progressista, já iniciam esse debate. O respeito e o diálogo interreligioso é caminho para uma sociedade mais democrática, por mais vida e menos ódio. Salve o 21 de janeiro!
Um triste episódio inspirou a criação da data, pelo então presidente Lula, em 2007. O crime de ódio tirou a vida da yalorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, que teve sua imagem maculada e o terreiro Abassá de Ogum, em Salvador, violado por membros de outro segmento religioso. O caso motiva profunda reflexão, sendo instrumento de debate e resistência. Este episódio, somado aos chamamentos do Centro de Estudos Orientais da UFBA (CEAO) e Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), ampliaram os debates que culminaram na instituição deste dia.
Vale registrar que a trajetória de Mãe Gilda deixou um legado de dedicação ao sagrado e respeito à diversidade religiosa. Com as demais contribuições civilizatórias do Candomblé, a sua jornada inspira o enfrentamento à opressão, frente ao crescimento da intolerância religiosa. Balanço divulgado pelo Governo Federal em novembro aponta um aumento nos registros, em 69%, no período de um ano. Já o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Sepromi, reúne quase uma centena de casos desde 2013.
As ocorrências são diversas, como depredação dos espaços sagrados, agressão física e verbal às suas lideranças. Também afetam na oferta dos serviços públicos, quando atendimentos são negados à população sob influência das doutrinações e falta de diálogo. A intolerância religiosa, portanto, impede o acesso às políticas públicas, adoece e tira vidas.
Para enfrentamento a este fenômeno a Sepromi tem feito esforços para o cumprimento do Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, bem como ações de sensibilização. Nas nossas atribuições, inclusive, está a coordenação da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, acompanhando, juntamente com o Sistema Integrado de Justiça, todos os processos recepcionados.
Destacamos ainda o movimento das universidades, ao incorporarem disciplinas sobre cultura e história africana, e na aproximação e valorização as religiões de matriz africana. Outro destaque é a atuação de lideranças evangélicas e cristãs católicas, que de forma progressista, já iniciam esse debate. O respeito e o diálogo interreligioso é caminho para uma sociedade mais democrática, por mais vida e menos ódio. Salve o 21 de janeiro!
Fabya Reis, titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi)
Artigo publicado no jornal A Tarde nesta sexta-feira (20)