21/09/2020
O Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) realizou nesta segunda-feira (21) mais uma etapa do seu planejamento estratégico de debates dos principais temas relacionados às questões raciais. A atividade, que aconteceu na plataforma Teams, reuniu conselheiros e conselheiras de diversas representações do colegiado, além de membros do Fórum de Gestores Municipais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e de conselhos locais ligados ao segmento.
O tema abordado no webnário foi “Democratização do acesso e inclusão da população negra no mundo da ciência, tecnologia e inovação”, contando com as contribuições do professor Antônio Fernando Teixeira, mestre em administração e comunicação rural e coordenador da Diretoria de Inovação e Competitividade da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti); além do professor doutor Igor Miranda, que leciona na Universidade Federal do Recôncavo Bahia (UFRB), no curso de Engenharia Elétrica e de Computação.
Durante o evento, a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e presidenta do CDCN, Fabya Reis, afirmou que este é o momento de destacar a atuação e esforço do colegiado na realização do debate. Segundo ela, a iniciativa fortalece a luta antirracista e o processo de estruturação de politicas afirmativas. “Neste olhar para a população negra, os povos e comunidade tradicionais, percebemos o desafio que é dar este passo à frente no campo da tecnologia e inovação, diante de barreiras imensas, a exemplo do próprio acesso á internet. Precisamos abrir mais oportunidades e estruturas nesta área. O fundamental é, a partir desta compreensão, criar e ampliar ferramentas de combate às desigualdades raciais”, ressaltou.
A secretária também falou da inovação da Sepromi com o lançamento da edição 2020 do Edital da Década Afrodescendente, que viabilizará projetos na área da inovação e tecnologia para o fortalecimento econômico do povo negro baiano.
O professor Igor Dantas defendeu tecnologias mais acessíveis e baratas à população, afirmando que esta é uma questão, acima de tudo, de justiça social e de defesa da vida. “Se estivéssemos num bom patamar de empoderamento tecnológico estaríamos, por exemplo, muito mais fortes enquanto comunidade negra neste momento de pandemia, menos dependentes. Mas os problemas são mais abrangentes, incluindo acesso à moradia digna, à coleta de lixo, questões para as quais poderíamos ter tecnologias para resolver. Falo também de acesso à educação através da tecnologia. É nestas questões que a desigualdade racial se acentua”, pontuou.
Já o professor Antônio Teixeira disse que é necessário, através da diversidade, dinamizar as dinâmicas da sociedade. “A produção, a comunicação, os novos estilos de vida e estímulos à cultura, estão baseados na tecnologia e inovação. Neste sentido, é preciso valorizar as diferentes formas de enxergar a sociedade. E precisamos considerar que a comunidade negra, em sua diversidade, contribui para tornar nossa sociedade mais competitiva. É necessário que haja o empoderamento da população negra nestes aspectos”, completou.