Sepromi e PM desenvolvem ações conjuntas para combater o racismo institucional

04/09/2015

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Como resultado do grupo de trabalho criado, em março deste ano, entre a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e a Polícia Militar, a partir das discussões da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Estado, foi iniciada, nesta terça-feira (14), uma série de encontros com foco no combate ao racismo institucional. O objetivo inicial é sensibilizar 50 representantes das unidades operacionais da corporação de Salvador e Região Metropolitana para construção conjunta de ações na área.

A primeira atividade, realizada no Colégio da Polícia Militar, no bairro dos Dendezeiros, em Salvador, foi direcionada a comandantes, subcomandantes e coordenadores da Rondesp – Companhias Independentes de Policiamento Tático. “A nossa intenção é dialogar, mostrar as demandas das organizações não governamentais e governamentais da luta antirracista e ver como podemos melhorar o nosso trabalho e a relação com a comunidade”, explicou o major Paulo Peixoto, que faz parte do grupo de trabalho.

Ele falou, ainda, que “muitas vezes, as práticas racistas estão tão disseminadas e naturalizadas, que não são percebidas, por isso a importância da discussão”, sem deixar de valorizar a atuação dos profissionais para garantir a segurança da população baiana. Segundo o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, que ministrou palestra sobre legislação antirracista no Brasil, a intenção é expandir essa “experiência inédita para outras áreas do governo, como educação e saúde da população negra”.

Abordagem

Como parte da programação, representantes do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Maria Reis e Djean Ribeiro, realizaram oficinas para mostrar como os estereótipos são formados ao longo da vida e de que forma contribuem na interpretação e postura dos indivíduos, focando nas abordagens policiais.

A Rede

A Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, que é coordenada pela Sepromi, foi apresentada, na ocasião, por sua coordenadora Nairobi Aguiar. Composta por instituições do poder público, universidades federais e estaduais, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil de Salvador e do interior, a Rede tem o objetivo de aumentar o grau de resolutividade dos casos de combate ao racismo e à intolerância religiosa. Também busca promover a igualdade racial e garantir os direitos da população negra, por meio da atuação integrada dos seus componentes.

Carta de compromisso

Na próxima terça-feira (21), a atividade será com profissionais do comando de policiamento central da capital baiana. A sensibilização é preparatória para realização de curso destinado a policiais militares, em agosto, com foco no combate ao racismo e institucional e proteção aos direitos humanos. A ideia é que no final dos encontros os profissionais assinem uma carta de compromisso para trabalhar na perspectiva de diálogo e esclarecimentos em relação à abordagem.

Grupo de Trabalho

O grupo de trabalho foi instituído após encontro da titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão, no dia 25 de março deste ano, para desenvolver ações conjuntas relacionadas às questões raciais. Entre as iniciativas estão capacitação para integrantes da corporação, com reformulação de disciplina ofertada no curso de soldados e ampliação para outras graduações, além de interlocução com organizações da sociedade civil a partir da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

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