O chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Ataíde Lima, participou, na quinta-feira (27), da sessão especial Carnaval Ouro Negro, na Assembleia Legislativa, para marcar o Dia da Consciência Negra, ocorrido no último dia 20. O evento foi proposto e presidido pelo deputado Bira Corôa e aberto com a apresentação dos afoxés Filhos do Congo e Kambalagwanze. “Nossas manifestações culturais são também atos de afirmação e manifestações políticas”, definiu o parlamentar.
A inclusão do Projeto Carnaval Ouro Negro no Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa foi comemorado em diversos pronunciamentos, a começar pelo discurso do próprio Bira Corôa. “A partir deste momento, a iniciativa deixa de ser uma política de governo para se tornar uma política de Estado”, definiu.
Professor de ofício, o parlamentar deu uma aula sobre o desenvolvimento do Carnaval na Bahia, desde os tempos do Entrudo, e a resistência de uma elite branca em ceder espaço ao povo negro. “As festas populares têm sido historicamente um espaço importante para entendermos as relações sociorraciais baianas”, afirmou, destacando neste sentido o Carnaval.
“Até a primeira metade do século passado, o Carnaval baiano dividia-se entre a Europa e a África”: o oficial, organizado e patrocinado pela elite local com suntuosos desfiles, e as manifestações espontâneas na periferia, a exemplo de blocos e clubes negros e do afoxé Filhos de Gandhy, surgido em 1949. O parlamentar aponta o surgimento do trio elétrico, em 1950, como elemento desarrumador do Carnaval hierarquizado.
Corôa lembrou da audiência pública realizada em 1º de outubro do ano passado, quando a palavra de ordem era “a gente não pode perder o que já conquistou”. Ali se buscavam mecanismos para garantir a perenidade do projeto, deixando de ser apenas uma medida governamental. “Outro objetivo daquela nossa audiência foi ampliar o programa para as micaretas”, disse, considerando que o Ouro Negro já está garantindo os carnavais fora de época que estavam se perdendo no interior do estado.
Ele ressaltou ainda que o Ouro Negro surgiu “no momento em que o Carnaval passa pelo processo de maior elitização”, com camarotes e blocos de corda tomando as ruas, tirando espaço para outras manifestações e a espontaneidade dos foliões.
Convidada para fazer uma palestra sobre o impacto do Ouro Negro na realidade dos blocos e afoxés afros, a presidente do afoxé Kambalagwanze, Iracema Neves, disse que o projeto Ouro Negro – criado em 2007 pelo então secretário da Cultura Márcio Meirelles – foi um divisor de águas. Ela lembrou que as entidades se encontravam naquela ocasião “à deriva, totalmente perdidos”.
Além de entrar com aporte financeiro, o projeto orientou os dirigentes na administração institucional. “Pudemos ver onde estávamos errando”, disse Iracema, que classificou o projeto como “a redenção dos blocos e afoxés”. O secretário da Cultura, Albino Rubim, fez um relato dos investimentos do estado no Carnaval, entre 2008 e 2014, com destaque para o Ouro Negro.
Ao final do evento foram premiados pela colaboração ao Carnaval baiano Vadinho (Bloco Alvorada), Nadinho do Afoxé Filhos do Congo, Arani Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias, a procuradora do estado Cléia dos Santos; presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB, Patrícia Lima; o cantor Tonho Matéria, a presidente do Conselho Municipal Comunidades Negras e Indígenas de Feira de Santana, Lourdes Santana; França, presidente do Fórum de Entidades Negras da Bahia; Paulinho, diretor do bloco Os Negões; e Iracema Neves.
Fonte: Ascom/Assembleia Legislativa da Bahia
