Marcada tradicionalmente por manifestações pacíficas e figurinos diversificados que relembram o antigo carnaval baiano, a exemplo dos mascarados, a “Mudança do Garcia” teve, nesta segunda-feira (8), ações de enfrentamento ao racismo e pela garantia dos direitos humanos.
Para a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, que acompanhou o cortejo em direção ao Campo Grande, o espaço é oportuno para sensibilização contra o racismo ao reunir “formadores de opinião, como autoridades, lideranças comunitárias, movimentos sociais e sindicatos, multiplicadores importantes dessa causa”.
A titular da Sepromi lembrou ainda que o Centro de Referência Nelson Mandela Itinerante segue aberto até amanhã (9), das 14h às 22h, no Procon (Rua Carlos Gomes, 746, Centro), em Salvador, com atendimento jurídico para vítimas de discriminação racial durante a festa. “Nossa equipe também está atuando nas ruas, conversando com os foliões e trabalhadores sobre o assunto”.
Ação nos circuitos
Apesar de já conhecer os serviços do Centro Nelson Mandela, a secretária Elza Pinto, 62 anos, recebeu o material informativo e sugeriu que a campanha permanecesse, ao longo do ano, “porque a luta é constante”. Ao ser questionada se já presenciou algum ato de racismo, a foliã destacou que “vai para cima defender, mostrando que a pessoa tem direitos”.
A aposentada R. P. também aprovou a iniciativa, lembrando que o racismo mata e que ela mesmo já tentou cometer suicídio após constantes humilhações e agressões verbais em ambiente de trabalho. Mais uma vítima do racismo, a vendedora de água de coco, Valdice Batista, disse que “as pessoas precisam reagir e denunciar para combater o racismo”.