Julho de luta das mulheres negras é encerrado com homenagens a lideranças religiosas

31/07/2019
A mesa temática ‘Heroínas de ontem e hoje: legados de resistência’, realizada nesta terça (30), em Salvador, em referência ao 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, mobilizou lideranças e um conjunto de mulheres negras de diversos segmentos. O evento foi realizado pelas secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), de Políticas para as Mulheres (SPM), de Cultura (Secult), além da Comissão da Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN).

A atividade contou com a presença das yalorixás Roselina Barbosa, de Alagoinhas, e Rosilene dos Santos, de Vitória da Conquista, ambas vítimas de intolerância religiosa nos últimos meses, sendo homenageadas durante o evento. Os casos são acompanhados, desde o início, pela Sepromi, através do Centro de Referência Nelson Mandela.

“Eu sofri uma violência sem tamanho. Invadiram minha casa, gritando com muito ódio frases como 'satanás tem que cair'. Eu já estava deitada e não levantei porque comecei a passar mal. Fiquei calada. Hoje eu estou aqui para agradecer, agradeço a minha mãe Oyá, a meu pai Oxóssi, e desejo muito amor, muito respeito a todas as religiões, porque todos nós temos o livre arbítrio”, disse Roselina Barbosa, a Mãe Rosa de Alagoinhas.

Rosilene dos Santos, de Vitória da Conquista, a Mãe Rosa de Oxum, também lembrou a agressão que sofreu. “Eu fui agredida física e verbalmente. Por morar há 19 anos no mesmo local, nunca achei que isso ia acontecer. Foi um baque muito grande. Hoje, estar aqui, sendo homenageada, é um imenso prazer, porque o racismo dói. A Sepromi e todos os órgãos que são contra a discriminação racial estão de parabéns”, disse.

Na ocasião, a secretária da Sepromi, Fabya Reis, explicou que a atividade integra uma série de ações, a exemplo do edital de apoio a organizações da sociedade civil. “Neste ano, o edital da Década Internacional foi ampliado. Agora são R$ 2,4 milhões investidos em atividades durante todo o ano, dando visibilidade às mulheres negras. O Agosto da Igualdade já se avizinha e também o nosso Novembro Negro", informou.

O evento desta terça-feira (30) ainda prestou homenagem às heroínas Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Mãe Stella de Oxóssi e Makota Valdina. A pesquisadora Alice Pinto, do Unzó Oniboyá, representou a tia Makota Valdina. “Eu já considerava minha tia uma heroína. Ela sempre foi uma mulher de colocar a sacola no ombro e ir para a luta. A gente via a Makota sempre na TV, tomando a frente e resolvendo as situações. Ela levou esse legado da comunidade negra, da cosmovisão africana para o Brasil e para o mundo. Ela falava alto e grosso para que todos respeitassem nossa religião afro-brasileira. Ela falava: não quero que me tolerem e, sim, que me respeitem”, disse Alice.

A mesa temática também reuniu a escritora Lívia Natália; da sobrinha de Mãe Stella de Oxóssi, Tomásia Azevedo, e representantes do Ilê Axé Opó Afonjá; além do Unzó Oniboyá, terreiro de atuação de Makota Valdina. As intervenções culturais ficaram por conta das cantoras Nara Couto e Matilde Charles. Participaram, ainda, a secretária Julieta Palmeira (SPM), o secretário Jerônimo Rodrigues (SEC), deputadas estaduais Fátima Nunes e Olívia Santana, a defensora pública Eva Rodrigues (MP), a promotora Lívia Vaz (MP), a conselheira Rose Mafalda (CDCN), dentre outras representações.

*Com informações da Secom / Repórter: Raul Rodrigues.