O Engenho Velho da Federação, um dos bairros que reúne maior quantidade de terreiros de candomblé, em Salvador, foi palco da Caminhada pelo fim da Violência, da Intolerância e pela Paz, neste domingo (15), em sua 11ª edição. Lideranças religiosas, do movimento negro, autoridades e moradores da região vestiram branco e foram às ruas, fortalecendo a prática do diálogo entre religiões, na atividade que integra o calendário do Novembro Negro na Bahia, mês dedicado à luta e afirmação do povo negro. A ação contou com apoio e participação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).
“Pedimos respeito pelas religiões afro-brasileiras neste evento, uma oportunidade única. Todas as nações de candomblé são reunidas neste evento, num momento forte de integração”, explicou a ialorixá Valnizia Pereira, a mãe Val, do terreiro do Cobre. Ao longo de toda a caminhada, crianças, jovens, mulheres e idosos se cumprimentavam ao som de atabaques e com muito milho branco, utilizado na maioria dos rituais que envolvem atividades deste tipo.
Valter Neves Nabuco, do terreiro Casa Branca, é um dos ogãs mais antigos das casas religiosas de Salvador. Ele afirmou que a perseverança é um fator determinante para a realização da caminhada do Engenho Velho, que já ultrapassa uma década. “A fé é inabalável e quem nasceu no candomblé sabe disso. E a harmonia entre as religiões, inclusive, é algo que consideramos fundamental”, ressaltou.
Já a makota Vana Santos, do terreiro Tanuri Junsara, destacou que a cada ano as movimentações crescem, fato que repercute para além da realização dos eventos desta naturaza. “O fortalecimento das religiões de matriz africana é evidente nesta caminhada, mas também fica a certeza de que o movimento não pode parar. Nosso engajamento é que desperta a consciência nas outras pessias para o respeito à diversidade de religiões”, completou, informando a criação do Grupo de Comunidades de Terreiros do Engenho Velho da Federação, que tem potencializado as iniciativas desenvolvidas pelo segmento religioso.
“As caminhadas são emblemáticas e importantes para o enfrentamento à intolerância religiosa. É, acima de tudo, um momento de afirmação das religiões de matriz africana, além de uma oportunidade de confraternização. A Bahia é um estado majoritariamente negro e possui expressiva população na religião de candomblé. É importante valorizar a beleza e a diversidade racial que temos, a pluralidade de opiniões e de práticas religiosas”, disse a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, acompanhada da equipe da pasta e do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela.