Centenário do Mestre Didi é lançado em Salvador

18/12/2016
Falecido em 2013, o Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos), artista plástico e Alapini, título do mais alto sacerdócio do culto de egugun, completaria 100 anos de vida em dezembro do próximo ano. A programação comemorativa do seu centenário foi lançada neste sábado (17), com a presença de religiosos, acadêmicos, artistas e autoridades, no Ilê Asipá, localizado no bairro de Piatã, em Salvador, comunidade fundada pelo líder religioso em 1980. O evento contou com a presença da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

“Mestre Didi, com toda a sua sapiência, transitou entre a cultura de matriz africana e a modernidade, numa velocidade muito grande e com grande amor no coração. Foi um dos pioneiros da arte afro-brasileira. Como religioso formou equipe, acreditando que a religião é uma maneira de viver”, disse o Alabá Genaldo Novaes, liderança do Ilê Asipá, ressaltando a influência do trabalho do artista. As obras do Meste Didi integraram exposições internacionais, tendo percorrido a França, Argentina, Senegal, Nigéria, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Espanha. Em 2009, em São Paulo, o Museu Afro Brasil realizou uma grande homenagem ao artista.

“O centenário do Mestre Didi representa um grande campo de possibilidades para amplificarmos o que foi a contribuição deste artista e líder religioso para o nosso patrimônio material e imaterial. Muitas gerações sucederão o seu trabalho, por conta do grande legado deixado e pelo exemplo deste Ilê”, destacou a titular da Sepormi, Fabya Reis, informando que o Governo do Estado planeja homenagear o Mestre Didi por meio de um conjunto de marcos simbólicos que serão executados em obras públicas da capital e do interior, dentro das ações da Década Internacional Afrodescendente na Bahia.

“Assim, vamos ofertando aos mais novos e mais velhos, a mensagem sobre o importante legado da população negra para o nosso estado e país, através da trajetória de lideranças e episódios históricos que não constam na maioria dos nossos livros. É uma estratégia valiosa no reconhecimento, na promoção da justiça e no combate à intolerância religiosa, inclusive”, reforçou a gestora. No Ilê Asipá ela também visitou a exposição de peças produzidas por artistas plásticos que integram a comunidade religiosa.

O evento também contou com a presença do reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), José Bites, que reafirmou o compromisso da instituição de ensino para valorização e discussão da história e da cultura afro-brasileira na Bahia. Uma das iniciativas anunciadas pelo reitor foi o lançamento de edital, em 2017, destinado à publicação de obra literária sobre a trajetória do Mestre Didi, cuja etapa final é o lançamento no mês de dezembro.

Estiveram presentes no Ilê Assipá, ainda, o professor Gildeci Leite, escritor e professor da UNEB, pesquisador da cultura afro-brasileira, representações da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Fundação Gregório de Mattos, o conferencista Marco Aurélio Luz, além de familiares do Mestre Didi, a exemplo da cantora lírica e acadêmica Inaicyra Falcão, sua filha biológica.